Exportações aos EUA caem 6,5% até setembro; China e UE sobem
De janeiro a setembro, o Brasil vendeu US$ 27,46 bi aos EUA, 6,5% a menos. A tarifa de 25% americana, em vigor desde 22 de julho, poupa café e carne.

Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil vendeu aos Estados Unidos US$ 27,46 bilhões. A queda foi de 6,5% sobre o mesmo período de 2025. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O mesmo levantamento mostra outro movimento. As vendas para a China subiram 12%, e as para a União Europeia (UE), 20%. A fatia dos EUA no total exportado caiu de 12,1% no primeiro semestre de 2025 para 9,4% no mesmo período deste ano, segundo o MDIC.
Como ficaram as tarifas
A origem da queda está nas tarifas. Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA decidiu, por 6 votos a 3, que a lei de emergências econômicas (IEEPA) não autoriza o presidente a criar tarifas desse tipo, segundo a Jovem Pan. O tarifaço de 50% sobre parte dos produtos brasileiros se apoiava nessa lei.
O governo americano trocou a base legal. Por 150 dias, aplicou uma tarifa geral de 10%, com base em uma lei de comércio de 1974. Ela venceu em 24 de julho, segundo o MDIC.
Desde 22 de julho, vale uma nova sobretaxa de 25%. Ela foi anunciada em 15 de julho pelo Representante Comercial dos EUA (USTR), com base na Seção 301, um mecanismo para responder a práticas consideradas injustas. Café, carne bovina, suco de laranja e aeronaves ficaram de fora, segundo a análise da GT Law.
Uma segunda sobretaxa, de 12,5%, vem de outra investigação, sobre trabalho forçado. Somadas, as duas chegam a 37,5% em alguns produtos, de acordo com o MDIC.
Parte das exportações aos EUA, por tipo de tarifa Participação nas exportações brasileiras para os EUA em 2024, em %
| Situação | Participação |
|---|---|
| Sem tarifa adicional, além da comum | 52,7% |
| Tarifa setorial da Seção 232 (aço, alumínio, automóveis) | 24,2% |
| Nova sobretaxa da Seção 301 | 23,1% |
Fonte: MDIC, nota de 24/07/2026, com base no comércio bilateral de 2024. Estimativa do órgão. Elaboração: redação.
A economista Lia Valls, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV Ibre), disse à Agência Brasil que “alterar o saldo da balança, em termos macroeconômicos, é pouco provável”. O peso recai sobre setores que vendem muito aos EUA.
Setembro sobe, mas o ano ainda cai
Em setembro, as vendas aos EUA somaram US$ 3,52 bilhões. Foi alta de 31,9% sobre setembro de 2025, quando chegaram a US$ 2,67 bilhões, segundo a Secex. Um mês, porém, não muda o acumulado.
Até setembro, o Brasil ainda tinha déficit de US$ 4,33 bilhões com os EUA. Comprou US$ 31,79 bilhões de lá e vendeu US$ 27,46 bilhões.
Exportações por destino, janeiro a setembro de 2026 Em US$ bilhões, com variação sobre o mesmo período de 2025
| Destino | Valor | Variação |
|---|---|---|
| China | 84,64 | +12% |
| União Europeia | 44,15 | +20% |
| Estados Unidos | 27,46 | -6,5% |
Fonte: Secex/MDIC, divulgado em 6/10/2026. Elaboração: redação.
A China segue como o principal destino do ano. Em setembro, porém, as exportações para lá caíram 7,6%. Segundo a Secex, as compras chinesas de carne bovina brasileira caíram 93,5%, com o fim da cota de importação com tarifa preferencial.
O que isso significa
Os números mostram uma mudança de destino, mais do que uma queda geral. O superávit total do país chegou a US$ 62,4 bilhões até setembro, também segundo a Secex. A perda nos EUA, porém, se concentra em alguns setores.
Ainda estão em aberto a devolução do dinheiro cobrado com base na IEEPA, que a Suprema Corte não decidiu, e o alcance das novas sobretaxas. Essas questões seguem na Justiça e na negociação entre os dois governos.
O que diz o USTR: Em comunicado de 15 de julho, o escritório afirmou que “a ação de hoje é necessária para enfrentar essas práticas comerciais injustas” e que “continua aberto a negociações com o Brasil” (tradução nossa). Fonte: comunicado oficial do USTR.
Como fizemos: Usamos dados da Secex/MDIC de janeiro a setembro de 2025 e 2026, divulgados em 6 de outubro de 2026 e acessados em 22 de outubro de 2026 por reportagens que citam a Secex, pois o portal do MDIC não abriu para nós. As variações são nominais, como divulgadas. Os percentuais por tipo de tarifa são estimativa do MDIC com base em 2024. Para a UE, uma fonte traz US$ 44,17 bilhões; usamos US$ 44,15 bilhões, mais citado.
Fontes
- Alcance das Medidas Tarifárias dos Estados Unidos sobre Exportações Brasileiras — MDIC
- USTR Section 301 Action on Brazil’s Unreasonable Acts, Policies, and Practices — USTR
- Tarifaço deve ter efeito limitado na balança comercial brasileira — Agência Brasil
- Exportações brasileiras para os EUA sobem 31,9% em setembro ante setembro de 2025 — Diário do Comércio (Agência Estadão)
- Exportações à UE e EUA avançam em setembro; China e Argentina recuam — Diário do Grande ABC
- Exportações brasileiras para os Estados Unidos somam US$ 3,52 bilhões com alta de carnes — Mixvale (dados da Secex)
- Como a decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas afeta o Brasil — Jovem Pan
- USTR announces Section 301 tariffs on Brazil: new 25% duties to take effect July 22 — GT Law



