Quem vencer no domingo, o resultado tem de ser respeitado
Opinião: respeitar o voto, as urnas auditadas e as instituições é dever de todo eleitor, vença quem vencer no segundo turno de 25 de outubro.
Artigo de opinião. Reflete as ideias do autor, não necessariamente as da Auriverde.

No domingo, 25 de outubro, os brasileiros decidem no segundo turno quem governa o país a partir de 2027. A disputa é entre Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT), e Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL). Vença quem vencer, o resultado tem de ser respeitado.
Esta é uma opinião, assinada pela redação do Auriverde. Ela defende uma posição, e cada fato citado aqui tem fonte no fim do texto.
Respeitar a urna não é causa de partido. É uma regra comum, que vale para o eleitor de Lula, o de Flávio e quem votar em branco. Quem perde precisa aceitar a regra. Quem ganha precisa governar dentro dela.
O que 2022 e 2023 deixaram
No dia 1º de novembro de 2022, Jair Bolsonaro fez um pronunciamento sem reconhecer a derrota de forma direta. Ele disse: “Sempre joguei dentro das quatro linhas da Constituição.” Em 12 de dezembro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diplomou Lula e o vice Geraldo Alckmin, ato que confirma os eleitos antes da posse.
Em 8 de janeiro de 2023, apoiadores de Bolsonaro atacaram o Congresso, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Segundo A Gazeta, reportagem do mesmo dia, havia cadeiras jogadas pelas janelas e vidros quebrados dentro dos prédios.
A Justiça já condenou centenas de pessoas por esses atos. Um balanço do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, divulgado em 8 de janeiro de 2026, contou 1.399 condenados. Desses, 179 seguem presos. Outras contagens, com critérios diferentes, chegam a números menores.
Bolsonaro também foi julgado pelo STF. Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma o condenou por 4 votos a 1, por crimes ligados à trama golpista. Luiz Fux votou pela absolvição. A pena fixada foi de 27 anos e 3 meses de prisão.
A condenação transitou em julgado em 25 de novembro de 2025. Isso significa que não cabem mais recursos. Ele é, portanto, condenado em definitivo.
Contestar é direito, mas exige prova
Perder e questionar um resultado não é crime. A lei prevê caminhos para isso na Justiça Eleitoral. Esse direito é legítimo, e este texto o reconhece. O problema começa quando a contestação não tem prova.
Em 22 de novembro de 2022, a coligação de Bolsonaro pediu ao TSE a anulação de votos de cerca de 279 mil urnas do segundo turno. No dia seguinte, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, rejeitou o pedido. Segundo ele, a petição tinha “total ausência de quaisquer indícios de irregularidades”.
Moraes também multou a coligação em R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé, ou seja, uso abusivo da Justiça. Contestar com prova é o caminho da lei. Pedir a anulação sem prova não é.
Essa conferência é possível porque a urna deixa rastros. Ao fim da votação, cada urna imprime o Boletim de Urna (BU), com os votos de cada candidato naquela seção. Qualquer eleitor pode fotografar o boletim e compará-lo com o resultado divulgado. O TSE também publica os boletins na internet, a partir do dia seguinte à votação.
No dia da votação, o TSE também faz testes de integridade das urnas. No primeiro turno, em 4 de outubro, 55 auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) acompanharam os testes em todo o país, segundo o TSE. Até as 10h, segundo o tribunal, não havia registro de problema.
Acusar sem prova também desgasta o sistema. Em 21 de julho de 2026, Flávio Bolsonaro afirmou, sem apresentar provas, que parte das urnas seria da empresa venezuelana Smartmatic. O TSE respondeu no dia seguinte: a empresa não forneceu urnas nem softwares ao Brasil.
O que diz o Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Segundo o tribunal, a Smartmatic não forneceu urnas nem softwares usados nas eleições brasileiras, e as urnas são projetadas por servidores da Justiça Eleitoral. A posição foi publicada em 22 de julho de 2026, em resposta a Flávio Bolsonaro, segundo o Jornal de Brasília.
Na entrevista de 2 de agosto ao programa Canal Livre, da BandNews, Flávio disse que aceitará o resultado das eleições de 2026. Ele também reconheceu que “pode ter se expressado de forma incorreta” sobre a Smartmatic.
Lula também já falou sobre o tema. Em abril, numa entrevista à revista alemã Der Spiegel, ele disse: “Quando o povo toma uma decisão, seja de direita, de esquerda ou do centro, temos que aceitar esse resultado.” A frase serve para qualquer lado.
O que está em jogo no domingo não é um nome. É a regra que faz uma eleição valer. Quem perde pode discordar e recorrer, mas precisa de prova. Quem ganha governa para todos, inclusive para quem votou contra.
Como fizemos: Este texto é opinião, assinada pela redação, e não é reportagem. Os fatos vêm das fontes listadas, acessadas em 22 de outubro de 2026. Os números, como 1.399 condenados, 279 mil urnas e R$ 22,9 milhões, são citados das fontes e não foram recalculados por nós. Não consultamos os processos do STF nem a íntegra das decisões; usamos reportagens e comunicados citados.
Fontes
- STF encerra processo e Bolsonaro já pode cumprir pena — Poder360
- Por 4 a 1, STF condena Bolsonaro e mais sete pela trama golpista — Folha de Pernambuco
- Dos 1.399 condenados pelo 8/1, apenas 179 continuam presos, afirma STF — Jornal de Brasília
- Vídeos mostram invasão de golpistas e depredação de prédios em Brasília — A Gazeta
- Bolsonaro evita reconhecer derrota, mas diz respeitar Constituição — A Gazeta
- Lula é diplomado pelo TSE e assume Planalto a partir de 1º de janeiro — Investnews
- Moraes rejeita pedido e multa PL em R$ 22,9 milhões — Poder360
- Saiba como é o boletim de urna impresso ao final da votação — Poder360
- TSE: 55 auditores do TCU acompanham teste de integridade; não há intercorrências — O Liberal
- TSE nega que Smartmatic tenha fornecido urnas ao Brasil — Jornal de Brasília
- Flávio diz que aceitará resultado das urnas e reconhece erro ao citar Smartmatic — InfoMoney
- Lula: “Quando o povo toma uma decisão…” — Folha de Pernambuco
- Flávio e Lula vão ao 2º turno; eleição em 25 de outubro — Suno



