Agro e Regiões

Garantia-Safra paga R$ 1.200 a famílias que perdem safra no semiárido

Quem tem direito, quanto recebe cada família e como entrar no Garantia-Safra, o seguro que protege agricultores familiares da seca e da chuva em excesso.

Lavoura verde sob céu carregado de nuvens, com plantio de milho ao fundo.
Lavoura no Ceará, com milho ao fundo. O estado tem 192 mil cotas do Garantia-Safra 2026/2027 (foto de arquivo).Foto: Geova1 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na sexta-feira (16), o Diário Oficial da União publicou a Resolução MDA nº 2. O texto fixa em R$ 1.200 o benefício por família no ciclo 2026/2027 do Garantia-Safra. A resolução também libera 975 mil cotas para 11 estados.

O Garantia-Safra é um seguro para agricultores familiares que perdem a safra por causas climáticas. A lei que criou o programa é de 2002. Em outubro de 2025, a Lei 15.236 autorizou o governo a incluir agricultores de outros municípios, além dos da área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Quem tem direito

O decreto de 2026 não fixa renda nem área. Essas regras vêm das normas anuais do Comitê Gestor do programa. Para o ciclo 2026/2027, o agricultor precisa cumprir todos estes pontos:

  • Renda familiar bruta de até 1,5 salário mínimo por mês, na média dos 12 meses antes do pedido. Aposentadoria ou pensão rural não entram na conta.
  • Área plantada entre 0,6 e 5 hectares de arroz, algodão, feijão, mandioca ou milho.
  • Imóvel rural de no máximo quatro módulos fiscais, medida de área que varia por município.
  • Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo e sem pendências.

Com o salário mínimo de R$ 1.621 em 2026, o teto de renda é de R$ 2.431,50 por mês. A Sudene reúne os nove estados do Nordeste e partes de Minas Gerais e do Espírito Santo. Para receber, o agricultor precisa ter perda de pelo menos 40% da produção desse conjunto de culturas, por causas climáticas. O percentual está no decreto e na lei.

Adesão e pagamento

A adesão é anual e tem duas etapas. Primeiro, o estado e o município assinam o termo de adesão para o ciclo. Sem esse termo, o pagamento não acontece.

Depois, o agricultor faz a inscrição. Ele pode usar o sistema do programa, com login gov.br, ou a instituição que emitiu o CAF, como prefeitura, Emater, sindicato ou cooperativa. Só é permitida uma inscrição por unidade familiar. O benefício é pago pela Caixa Econômica Federal, conforme o calendário do banco.

Quanto cada parte entra com, por agricultor Valores em R$, regras de 2026/2027

Quem paga Valor (R$)
Agricultor 24
Município 72
Estado 144
União (mínimo por cota) 480

Fonte: Atlas Público; Governo de Minas Gerais. Elaboração: redação.

Os números disponíveis

Em março de 2026, o MDA começou a pagar a safra 2024/2025. Segundo comunicado do ministério reproduzido pela Agrolink, foram mais de 685 mil agricultores, em 934 municípios de 11 estados. O valor passou de R$ 823 milhões.

A conta confere. Se 685 mil famílias receberam R$ 1.200 cada, o total chega a cerca de R$ 822 milhões.

Para 2026/2027, o dado publicado é em cotas, e não em famílias pagas. Com 975 mil cotas e benefício de R$ 1.200, o teto teórico é de R$ 1,17 bilhão. Esse valor não é previsão de gasto. Bahia (331 mil), Ceará (192 mil) e Pernambuco (124 mil) somam 647 mil cotas. A lista inclui também o Amazonas, fora da área da Sudene, com 2 mil cotas.

Não encontramos balanço consolidado do total pago ou de famílias atendidas no ciclo 2025/2026.

O que diz o MDA: A Resolução MDA nº 2 fixa o benefício em R$ 1.200 por família habilitada, segundo a Mix Vale, que cita a publicação no Diário Oficial de 16 de outubro. A redação não falou com o ministério antes da publicação. As páginas oficiais sobre o tema estavam restritas durante a apuração.

O que isso significa

Quem planta feijão, milho, arroz, mandioca ou algodão no Semiárido tem agora as regras por escrito. Os pontos centrais são a perda de 40%, a renda de até 1,5 salário mínimo e a área de 0,6 a 5 hectares. Na safra 2024/2025, o programa atendeu mais de 685 mil agricultores. No Censo Agropecuário de 2017, a agricultura familiar respondeu por 23% do valor da produção agropecuária do país, segundo o IBGE.

O que segue em aberto é o balanço do ciclo 2025/2026. Quem quer saber se está apto deve procurar a prefeitura ou a Emater, como indicam as regras.

Como fizemos: Lemos o Decreto 12.889/2026 e a Lei 15.236/2025 no portal do Senado, acessados em 22/10/2026. As regras de 2026/2027 vêm de reportagens da Atlas Público e da Mix Vale (18 e 20/10/2026) e de página do governo de Minas Gerais, atualizada em julho de 2025. Os números de março vêm de comunicado do MDA reproduzido pela Agrolink (18/03/2026). Os cálculos de R$ 822 milhões (685 mil × R$ 1.200) e de R$ 1,17 bilhão (975 mil × R$ 1.200) são nossos. A página de Minas diz “1,5 salário mínimo e meio”; adotamos 1,5, como nas outras fontes. O dado de 2017 é do IBGE; não conseguimos abrir o PDF e conferimos o número em resumos de busca. As páginas oficiais do MDA e da Agência Brasil estavam indisponíveis, o que impede um balanço oficial atualizado.

Fontes