Ataques online a jornalistas sobem 74% na reta final do 1º turno
A Coalizão em Defesa do Jornalismo registrou 14.182 ataques a jornalistas no X e no Instagram entre 16 de agosto e 4 de outubro de 2026.

Entre 16 de agosto e 4 de outubro de 2026, a Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) registrou 14.182 ataques contra jornalistas e veículos de comunicação no X e no Instagram. O dado consta de relatório divulgado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) em 9 de outubro. Na reta final do primeiro turno, a média diária subiu de 188 para 327 ataques, uma alta de cerca de 74%.
A CDJor reúne entidades como a Abraji, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) e a Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Com o Labic, laboratório da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a coalizão mede postagens hostis. A medição vai até 27 de outubro, data do segundo turno. Ataques presenciais são reportados às entidades; os online são contados nas redes.
Quem é atacado, e onde
No primeiro turno, 61,8% dos ataques ocorreram no Instagram. Na reta final, o X passou à frente. Entre os jornalistas identificados individualmente, 64,8% dos ataques foram contra mulheres, segundo o relatório. Quase 80% dos ataques com contexto eleitoral identificado se referiam à disputa presidencial.
As mensagens usaram expressões como “fake news”, “jornalista militante” e “imprensa golpista”. Alguns casos foram citados pelo nome. A jornalista Natalia Viana, da Agência Pública, foi atacada depois de procurar uma fonte, antes da publicação de uma reportagem. Juliana Dal Piva foi alvo de agressões na repercussão de investigações sobre o Banco Master.
No relatório de 9 de setembro, Natuza Nery, da GloboNews, foi a jornalista mais atacada, com 61 ocorrências no X e 49 no Instagram.
Os números em série
Os dois relatórios da CDJor mostram uma escalada. Os períodos são diferentes, e isso muda a leitura.
Ataques registrados no X e no Instagram, por relatório da CDJor Total de ataques por período monitorado, em 2026
| Relatório | Período | Ataques |
|---|---|---|
| 9 de setembro | 16 a 29 de agosto | 2.630 |
| 9 de outubro | 16 de agosto a 4 de outubro | 14.182 |
Fonte: Abraji, relatórios da CDJor com o Labic/Ufes. Média diária do segundo relatório (14.182 ÷ 50 dias): elaboração da redação.
Dividindo o total do segundo relatório pelos 50 dias do período, a média foi de cerca de 284 ataques por dia. O primeiro relatório cobriu um intervalo mais curto e se sobrepõe ao segundo, por isso a comparação é aproximada. Os textos consultados não detalham o campo político de quem publicou as mensagens.
O que diz a lei
A Constituição não trata de campanhas em particular. Seu artigo 220 diz que a manifestação do pensamento e a informação “não sofrerão qualquer restrição”. O parágrafo 1º proíbe lei que embarace a liberdade jornalística.
Na audiência do Conselho de Comunicação Social do Congresso, em 6 de julho, nenhum projeto de lei novo foi citado, segundo a Agência Senado. Artur Romeu, diretor da RSF para a América Latina, disse: “No momento em que um jornalista é atacado, o alvo é a democracia e o direito da sociedade à informação”.
O que diz a Abraji: Segundo reportagem da própria Abraji, de 20 de agosto, a coordenadora jurídica Letícia Kleim afirmou: “Quando falamos de segurança jurídica, estamos falando da segurança de publicar informação de interesse público.” Esta redação não solicitou resposta específica para este texto; a fala vem de material publicado pela Abraji.
O que isso significa
O achado principal é de escala e de alvo. A violência online contra a imprensa cresceu durante a campanha e recai sobretudo sobre mulheres. Os números medem postagens em duas redes, não agressões físicas. Segundo a CDJor, haverá boletins quinzenais e um relatório ao fim do segundo turno. Ainda não se sabe quantos desses casos viram registro formal ou investigação.
Como fizemos: Usamos os relatórios da CDJor com o Labic/Ufes, divulgados pela Abraji em 9 de setembro e 9 de outubro de 2026, acessados em 22 de outubro de 2026. A média de cerca de 284 por dia (14.182 ÷ 50) é cálculo nosso. A alta de 74% é a apresentada pela própria Abraji, sem recálculo. Os totais medem ataques online no X e no Instagram, e os períodos se sobrepõem.
Fontes
- Ataques à imprensa crescem 74% na reta final do primeiro turno das eleições de 2026 — Abraji
- CDJor divulga primeiro relatório de ataques online à imprensa nas eleições: 2.630 em 15 dias — Abraji
- Coalizão em Defesa do Jornalismo monitora ataques contra profissionais da comunicação nas eleições de 2026 — Abraji
- No Congresso, Abraji discute protocolos de segurança para jornalistas nas eleições — Abraji
- Debatedores defendem ações para conter violência contra jornalistas nas eleições — Agência Senado
- Constituição Federal, artigo 220 — Câmara dos Deputados (acesso em 22/10/2026)



