Agro e Regiões

China limita a Santa Catarina suspensão do frango após Newcastle

Foco em granja de perus no oeste catarinense levou o Brasil a suspender exportações à China; Pequim restringiu a medida a Santa Catarina.

Ilustração abstrata em tons de verde e amarelo, nas cores da marca Auriverde, sem pessoas nem animais.
Imagem provisória: ilustração da marca Auriverde, enquanto não há foto licenciada da região.Ilustração: Imagem provisória

No domingo (18), o Ministério da Agricultura (Mapa) confirmou um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. Na terça-feira (20), a China decidiu limitar a suspensão das compras de frango brasileiro ao estado. A decisão atinge 14 estabelecimentos catarinenses.

A doença de Newcastle é uma infecção viral que atinge aves. Ela não é a gripe aviária, embora as duas tenham plano de contingência do governo em comum. Segundo o Mapa, o consumo de produtos avícolas com inspeção oficial “permanece seguro, sem contraindicações”.

Por que as exportações pararam

O Brasil tem um acordo com a China que prevê a suspensão preventiva das exportações de carne de aves quando há Newcastle ou gripe aviária. Quem explicou o acordo foi o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, em 19 de outubro, segundo a Reuters. “Alguns países, como a China, se tiver uma dessas doenças (Newcastle ou gripe aviária), o Brasil precisa suspender as exportações”, disse ele.

Depois da suspensão, a China define se o embargo fica restrito à região ou ao estado atingido. Santin afirmou que poucos países têm esse tipo de acordo. A maioria dos importadores costuma bloquear só a área do foco, num raio de 10 km.

Quanto está em jogo

Santa Catarina responde por pouco mais de 20% das exportações brasileiras de carne de frango, segundo a ABPA. A China respondeu por cerca de 10% dessas exportações de janeiro a setembro, ou 420 mil toneladas, segundo dados do governo citados pela CNN Brasil.

China restringe a suspensão a 14 de 61 estabelecimentos habilitados Número de estabelecimentos brasileiros habilitados a exportar frango para a China, outubro de 2026

Indicador Valor
Estabelecimentos habilitados a exportar frango para a China 61
Estabelecimentos catarinenses afetados pela restrição 14
Participação de Santa Catarina nas exportações de frango pouco mais de 20%

Fonte: Mapa, via CPG Click Petróleo e Gás; ABPA, via CNN Brasil. Cálculo da redação: 14 de 61 é cerca de 23%. Elaboração: redação.

Os estabelecimentos de outros estados seguem habilitados. A restrição, portanto, não atinge todo o frango brasileiro. Mas a conta é só de número de unidades, e as fontes não informam o valor ou o volume exportado por cada uma.

O precedente do Rio Grande do Sul

Em julho de 2024, um foco no Rio Grande do Sul levou a China a suspender a compra de frango gaúcho. A reabertura para o estado foi anunciada em 20 de janeiro de 2026, cerca de um ano e meio depois, segundo a Secretaria da Agricultura gaúcha.

O que diz o Ministério da Agricultura: o ministro André de Paula afirmou na segunda-feira (19) que “O consumo dessa carne não traz nenhum risco às pessoas” (DGABC).

O que vem a seguir

O prazo da restrição chinesa não foi divulgado. A Tribuna do Sertão informa que o país tem 90 dias para pedir à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) o retorno ao status de área livre da doença. Segundo a reportagem, a erradicação exige limpeza e desinfecção antes desse pedido.

Para o consumidor, a doença não muda o que está nas gôndolas. Para o produtor catarinense, o ponto é o tempo de bloqueio. Nenhuma fonte consultada informa quando as vendas à China devem voltar.

Como fizemos: Usamos reportagens e notas oficiais de 19 a 21 de outubro de 2026, acessadas em 21/10/2026, com dados do Mapa, da ABPA e do governo gaúcho. O percentual de cerca de 23% é nosso cálculo (14 de 61 estabelecimentos). Ele não mostra o peso da restrição em volume ou valor, que as fontes não informam.

Fontes