Conab prevê safra de grãos de 367,1 milhões de toneladas em 2026/27
Primeira estimativa para o novo ciclo indica alta de 1,4% na produção, puxada por soja e milho, com queda no arroz e forte recuo do trigo.

O Brasil deve colher 367,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27. A estimativa foi divulgada nesta quinta-feira (15) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), empresa pública do governo federal. O volume é 1,4% maior que o da safra anterior.
É o primeiro levantamento do novo ciclo. A Conab acompanha a safra mês a mês e revisa os números conforme o plantio avança e o clima se define. A área plantada deve crescer 2,3% e chegar a 85,4 milhões de hectares, segundo a companhia.
Soja e milho puxam a alta
A soja continua sendo o principal produto. A Conab estima 181,6 milhões de toneladas, alta de 0,7%, numa área de 49,3 milhões de hectares. O plantio estava em 15,6% da área no início de outubro.
O ritmo varia entre os estados. Em Mato Grosso, maior produtor do país, a semeadura chegava a 25,2%. No Paraná, a 36%, segundo a Conab.
O milho, somadas as três safras do ano, deve render 148 milhões de toneladas, 2,4% a mais que no ciclo anterior. A área do cereal deve crescer 4,9%, para 23,7 milhões de hectares. A primeira safra, que está sendo plantada agora, deve ter o maior aumento de área: 10,7%.
Segundo a Conab, o consumo interno de milho deve crescer 6,6% em 2026/27. A alta vem do uso crescente do cereal para produzir etanol.
Arroz e trigo em queda
Nem todas as culturas crescem. A produção de arroz deve cair 2,9%, para 10,8 milhões de toneladas. O feijão fica estável, em cerca de 2,9 milhões de toneladas.
O plantio dessas culturas já começou no Sul. Até a primeira semana de outubro, Santa Catarina tinha semeado 44% da área de arroz, e o Rio Grande do Sul, 27%. No país, o feijão de primeira safra estava 18,1% plantado, segundo a Conab. Essa safra deve render 963,1 mil toneladas, 1,1% a menos que no ciclo anterior.
A maior queda é a do trigo, cultura de inverno concentrada no Sul. A Conab estima 5,7 milhões de toneladas, cerca de 27% a menos que na safra passada. Segundo a companhia, a perda vem da redução da área plantada e da produtividade menor. A colheita do cereal chegava a 40,3% da área.
Exportações
A Conab estima exportações de 117,97 milhões de toneladas de soja em grão, alta de cerca de 1,5%. Os embarques de farelo de soja devem subir 3,06%, para 27,1 milhões de toneladas. Já as exportações de arroz devem cair 17,4%, por causa da menor oferta interna.
O que diz a Conab: No boletim do 1º levantamento, a companhia informa que a projeção indica crescimento de 1,4% no volume a ser colhido e de 2,3% na área semeada. A estimativa será revisada nos próximos levantamentos, conforme o andamento do plantio e do clima.
Os números ainda podem mudar bastante. A maior parte da soja e do milho nem foi plantada, e o resultado depende das chuvas dos próximos meses. Para o interior, a safra pesa no emprego, na renda e na arrecadação de muitos municípios. A Conab atualiza a estimativa todos os meses ao longo do ciclo.


