Opinião

Vote em Lula agora, vença em 2030

Lula, de 80 anos, disse que esta é sua última eleição. O voto nele é tático: um Congresso de direita o freia e deixa 2030 aberto para a direita.

Artigo de opinião. Reflete as ideias do autor, não necessariamente as da Auriverde.

Fachada do Palácio do Congresso Nacional, com as duas torres e as cúpulas da Câmara e do Senado, sob céu claro com nuvens.
Palácio do Congresso Nacional, em Brasília (foto de arquivo de outubro de 2020).Foto: Roque de Sá / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Escrevo como quem sou: de direita. Nós, que defendemos a Lava Jato, a polícia e o agro, temos uma decisão a tomar até domingo (25). Ela exige honestidade, porque a resposta contraria o instinto: o voto mais útil para a direita, neste segundo turno, é em Lula.

Não peço que ninguém goste dele. Lula não é de direita, nunca foi e não vai virar. O voto é tático, dura um mandato e tem data de validade.

Na segunda-feira (19), em Porto Alegre, aos 80 anos, ele disse que esta é “a minha última disputa eleitoral”, segundo o Poder360. O adversário está de saída. O problema é outro.

Serei honesto, antes de tudo, com o que favorece Flávio Bolsonaro. A Bolsa bateu recorde e o dólar caiu abaixo de R$ 5 quando ele liderou o primeiro turno, segundo o Estado de Minas. Ele votou pelo fim da escala 6x1, a jornada de seis dias de trabalho e um de folga. E a inflação em 12 meses, de 4,58%, passou o teto da meta, de 4,5%.

Esses fatos não contam a história inteira. Quem derruba a Selic, a taxa básica de juros, é o Comitê de Política Monetária (Copom), não o presidente — e ela já cai há cinco reuniões seguidas. E a mesma Bolsa recuou 1,8% no dia em que o áudio com o banqueiro Daniel Vorcaro vazou, segundo o Metrópoles.

Há números que o eleitor de direita pode reconhecer sem gostar do governo. O desemprego está em 5,4%, o menor para o período, segundo o IBGE. As mortes violentas caíram 8,2% em 2025, para o menor nível desde 2012 — com a ressalva de que a segurança é sobretudo atribuição dos estados.

A Lei Antifação, sancionada em março, traz penas de até 40 anos, segundo a CNN Brasil, e teve um relator de direita. A isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil passou por unanimidade no Senado. Ela foi compensada por um imposto mínimo para quem ganha mais de R$ 600 mil por ano.

O freio é o Congresso

A conta do voto tático é simples. Lula eleito seria um adversário no último mandato, vigiado pelo Congresso mais à direita da história recente. Flávio eleito transformaria a nossa bandeira no projeto de uma família.

O PL elegeu a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, e terá 28 senadores, segundo a Agência Brasil. É esse o freio. Uma direita forte na oposição fiscaliza, bloqueia o que passar dos limites e se prepara para 2030.

Uma direita no governo com Flávio passaria quatro anos explicando Vorcaro. São US$ 24 milhões pedidos a um banqueiro. É o “irmão, estou e estarei contigo sempre”, enviado na véspera da prisão dele.

E é um inquérito de lavagem de dinheiro no Supremo Tribunal Federal (STF). Nada disso é retórica adversária: é o inquérito que o ministro André Mendonça abriu em julho, a pedido da Polícia Federal (PF), como registrou a Agência Brasil.

2030 é o prêmio

O que está em jogo no domingo não é o meio século. É o controle da direita depois de Lula. Aliados de Tarcísio de Freitas, sem se identificar, veem a derrota de Flávio como a chance de 2030, segundo o PlatoBR. O colunista Sílvio Ribas, da Gazeta do Povo, argumenta que uma vitória de Lula pode tirar os Bolsonaro do jogo de 2030.

A promessa de mandato único não muda essa conta. A proposta de emenda à Constituição (PEC) que acabaria com a reeleição está parada no Senado e precisa de três quintos das duas Casas. Como resumiu um analista ouvido pela Gazeta do Povo, ela é “principalmente simbólica”. Flávio promete cumprir um único mandato mesmo sem a emenda e diz que a regra valeria também para parentes, segundo o Poder360. Promessa não é lei.

Esta coluna não fala ao bolsonarista convicto, que não mudará de ideia. Fala ao eleitor de direita que já está em dúvida: 41% dos eleitores de Augusto Cury e 30% dos de Renan Santos consideram votar em Lula, segundo a pesquisa Nexus/BTG. É bastante gente. É o público certo.

O que diz quem pensa diferente: Flávio lidera nas pesquisas e a maior parte da direita está com ele. Para muitos eleitores, derrotar o PT importa mais do que qualquer crítica ao candidato. O argumento é respeitável — e não será desfeito por uma coluna. Ela fala a quem ainda pesa o custo de amarrar a direita ao caso Vorcaro.

No domingo, a direita escolhe entre perder uma eleição e perder a própria direita. Perder para Lula, com 80 anos e um Congresso de direita ao lado, é derrotável em 2030. Perder para Flávio é assinar por quatro anos a defesa de Vorcaro. O voto tático é o mal menor para a direita — e o único que devolve a bandeira limpa.

Fontes