Soberania e Defesa

Brasil leva à COP31 dois roteiros que ficaram fora do texto oficial

A COP31 começa em Antalya, na Turquia, em 9 de novembro. O Brasil leva dois roteiros que ficaram de fora do texto final da COP30.

O presidente Lula discursa em um púlpito com a identidade visual da COP30, em Belém.
Lula na abertura da sessão plenária da Cúpula do Clima, em Belém, em novembro de 2025, na COP30, cujo texto final deixou de fora os dois roteiros brasileiros.Foto: Lula Oficial / Flickr / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 9 de novembro começa a 31ª Conferência do Clima da ONU (COP31), em Antalya, na Turquia. A reunião vai até 20 de novembro. O Brasil chega com uma tarefa própria: dois roteiros que propôs e que ficaram fora do texto final da COP30, em Belém.

COP é a sigla de Conferência das Partes, a reunião anual dos países que aderiram à Convenção do Clima da ONU. A Turquia sedia o evento e indica o presidente da COP31. A Austrália comanda a presidência das negociações, segundo regras combinadas em novembro de 2025.

O que ficou de fora em Belém

O texto final da COP30 não trouxe um roteiro para deixar os combustíveis fósseis, como petróleo, gás e carvão. Também não trouxe um plano para acabar com o desmatamento. Segundo a Agência Brasil, não havia consenso para incluir o tema na agenda formal de negociação.

A presidência brasileira decidiu criar os roteiros por fora do processo oficial. Em 5 de outubro, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) divulgou a seleção de 114 eventos para o Pavilhão Brasil, entre 780 propostas. A seleção foi feita por um comitê formado pelo MMA, pela Presidência da COP30 e pela Apex Brasil.

Dois roteiros, prazo aberto

O roteiro de energia busca uma transição justa e ordenada para longe dos combustíveis fósseis. A meta final é a neutralidade de emissões até 2050. O roteiro do desmatamento quer interromper e reverter a perda de florestas até 2030, segundo a página oficial da presidência.

Não há data oficial para concluir os roteiros. Em março, o embaixador André Corrêa do Lago disse à Agência Brasil que as prioridades serão apresentadas ao longo do ano, em etapas. A chamada por contribuições ficou aberta até 31 de março.

O dinheiro: fundo e metas

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, sigla em inglês) pagaria países que mantêm suas florestas em pé. Em 23 de setembro de 2025, Lula anunciou em Nova York US$ 1 bilhão. Ele disse que o Brasil seria “o primeiro país a se comprometer com investimento no fundo de US$ 1 bilhão”.

Em 16 de abril de 2026, o fundo informou US$ 6,5 bilhões em contribuições anunciadas por cinco países investidores. A meta provisória é de US$ 10 bilhões em 2026 para a parte dos patrocinadores. Nossa conta: os US$ 6,5 bilhões equivalem a 65% dessa meta. O comunicado não detalha o aporte de cada país.

O Fundo Amazônia mostra outro lado. Seu site oficial aponta 156 projetos apoiados, com R$ 5,97 bilhões de apoio aprovado e R$ 2,93 bilhões desembolsados, ou seja, já liberados. Nossa conta: cerca de 49% do apoio aprovado foi liberado. O site não informa a data de referência desses valores.

A meta climática do país, a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), prevê reduzir de 59% a 67% as emissões até 2035, em relação a 2005. O Brasil entregou o plano na COP29, em novembro de 2024. Não encontramos revisão oficial dessa meta em 2026.

O que diz André Corrêa do Lago, presidente da COP30: Segundo a Agência Brasil (7 de março de 2026), ele afirmou que a presidência vai elaborar os dois roteiros, porque não há consenso para incluí-los na agenda formal. Ele também alertou que posições muito radicais podem dar argumentos a quem não quer negociar.

O que isso significa

O Brasil chega à Turquia com dois roteiros em aberto. Também tem um fundo ainda longe da meta provisória de 2026. Como a Austrália comanda as negociações, a influência brasileira passa pela presidência e pelos roteiros, não pela agenda formal.

Ficam em aberto duas perguntas: se os roteiros entrarão na pauta da conferência e quanto do dinheiro prometido ao TFFF será de fato repassado. As respostas devem aparecer em Antalya, entre 9 e 20 de novembro.

Como fizemos: Usamos a página oficial da Presidência da COP30 (acessada em 22 de outubro de 2026), o comunicado do TFFF de 16 de abril de 2026 e o site oficial do Fundo Amazônia (acessado em 22 de outubro de 2026), além de reportagens da Agência Brasil, do MMA e da Jovem Pan. Calculamos duas proporções: US$ 6,5 bilhões sobre US$ 10 bilhões (65%) e R$ 2,93 bilhões sobre R$ 5,97 bilhões (cerca de 49%). Não há dados de quanto cada país pagou ao TFFF, e o site do Fundo Amazônia não informa a data dos valores.

Fontes