Brasil leva à COP31 dois roteiros que ficaram fora do texto oficial
A COP31 começa em Antalya, na Turquia, em 9 de novembro. O Brasil leva dois roteiros que ficaram de fora do texto final da COP30.

Em 9 de novembro começa a 31ª Conferência do Clima da ONU (COP31), em Antalya, na Turquia. A reunião vai até 20 de novembro. O Brasil chega com uma tarefa própria: dois roteiros que propôs e que ficaram fora do texto final da COP30, em Belém.
COP é a sigla de Conferência das Partes, a reunião anual dos países que aderiram à Convenção do Clima da ONU. A Turquia sedia o evento e indica o presidente da COP31. A Austrália comanda a presidência das negociações, segundo regras combinadas em novembro de 2025.
O que ficou de fora em Belém
O texto final da COP30 não trouxe um roteiro para deixar os combustíveis fósseis, como petróleo, gás e carvão. Também não trouxe um plano para acabar com o desmatamento. Segundo a Agência Brasil, não havia consenso para incluir o tema na agenda formal de negociação.
A presidência brasileira decidiu criar os roteiros por fora do processo oficial. Em 5 de outubro, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) divulgou a seleção de 114 eventos para o Pavilhão Brasil, entre 780 propostas. A seleção foi feita por um comitê formado pelo MMA, pela Presidência da COP30 e pela Apex Brasil.
Dois roteiros, prazo aberto
O roteiro de energia busca uma transição justa e ordenada para longe dos combustíveis fósseis. A meta final é a neutralidade de emissões até 2050. O roteiro do desmatamento quer interromper e reverter a perda de florestas até 2030, segundo a página oficial da presidência.
Não há data oficial para concluir os roteiros. Em março, o embaixador André Corrêa do Lago disse à Agência Brasil que as prioridades serão apresentadas ao longo do ano, em etapas. A chamada por contribuições ficou aberta até 31 de março.
O dinheiro: fundo e metas
O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, sigla em inglês) pagaria países que mantêm suas florestas em pé. Em 23 de setembro de 2025, Lula anunciou em Nova York US$ 1 bilhão. Ele disse que o Brasil seria “o primeiro país a se comprometer com investimento no fundo de US$ 1 bilhão”.
Em 16 de abril de 2026, o fundo informou US$ 6,5 bilhões em contribuições anunciadas por cinco países investidores. A meta provisória é de US$ 10 bilhões em 2026 para a parte dos patrocinadores. Nossa conta: os US$ 6,5 bilhões equivalem a 65% dessa meta. O comunicado não detalha o aporte de cada país.
O Fundo Amazônia mostra outro lado. Seu site oficial aponta 156 projetos apoiados, com R$ 5,97 bilhões de apoio aprovado e R$ 2,93 bilhões desembolsados, ou seja, já liberados. Nossa conta: cerca de 49% do apoio aprovado foi liberado. O site não informa a data de referência desses valores.
A meta climática do país, a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), prevê reduzir de 59% a 67% as emissões até 2035, em relação a 2005. O Brasil entregou o plano na COP29, em novembro de 2024. Não encontramos revisão oficial dessa meta em 2026.
O que diz André Corrêa do Lago, presidente da COP30: Segundo a Agência Brasil (7 de março de 2026), ele afirmou que a presidência vai elaborar os dois roteiros, porque não há consenso para incluí-los na agenda formal. Ele também alertou que posições muito radicais podem dar argumentos a quem não quer negociar.
O que isso significa
O Brasil chega à Turquia com dois roteiros em aberto. Também tem um fundo ainda longe da meta provisória de 2026. Como a Austrália comanda as negociações, a influência brasileira passa pela presidência e pelos roteiros, não pela agenda formal.
Ficam em aberto duas perguntas: se os roteiros entrarão na pauta da conferência e quanto do dinheiro prometido ao TFFF será de fato repassado. As respostas devem aparecer em Antalya, entre 9 e 20 de novembro.
Como fizemos: Usamos a página oficial da Presidência da COP30 (acessada em 22 de outubro de 2026), o comunicado do TFFF de 16 de abril de 2026 e o site oficial do Fundo Amazônia (acessado em 22 de outubro de 2026), além de reportagens da Agência Brasil, do MMA e da Jovem Pan. Calculamos duas proporções: US$ 6,5 bilhões sobre US$ 10 bilhões (65%) e R$ 2,93 bilhões sobre R$ 5,97 bilhões (cerca de 49%). Não há dados de quanto cada país pagou ao TFFF, e o site do Fundo Amazônia não informa a data dos valores.
Fontes
- COP31: o que está em jogo na conferência do clima em Antalya — GSS
- Path to replacing fossil fuels to be laid out by November — Agência Brasil (em inglês, 7/3/2026)
- 2026 Priorities — Presidência da COP30 (acesso em 22/10/2026)
- Resultado da seleção para eventos no Pavilhão Brasil na COP31 é divulgado — MMA (5/10/2026)
- Lula anuncia aporte de US$ 1 bilhão no fundo de florestas tropicais — Jovem Pan (23/9/2025)
- Tropical Forest Forever Facility demonstrates rapid progress at IMF/World Bank Spring Meetings — TFFF (16/4/2026)
- Brasil é segundo país a entregar meta de emissões na COP29 — InfoMoney (13/11/2024)
- Quais são as metas apresentadas pelo Brasil para a COP30? — CNN Brasil (7/11/2025)
- Fundo Amazônia — site oficial (acesso em 22/10/2026)



