Soberania e Defesa

Flávio agradeceu a Trump pelo tarifaço e, em 2026, pediu suspensão

Em 2025 Flávio agradeceu a Trump pelo tarifaço de 50%. Em 2026 pediu aos EUA que suspendessem as tarifas de 25% e culpou o governo Lula.

Flávio Bolsonaro, de terno cinza-azulado e gravata amarela, fala em entrevista, em close, com fundo desfocado.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concede entrevista no Senado, em Brasília, em maio de 2022 (foto de arquivo).Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 9 de julho de 2025, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) agradeceu a Donald Trump, no X, pela tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Depois disse que se arrependeu e apagou a publicação. Em 2026, ele pediu ao governo americano que suspendesse novas tarifas. A quatro dias do segundo turno, o caso mostra como a política externa entrou na disputa.

Em 30 de julho de 2025, os Estados Unidos aplicaram sanções a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes conduz o processo contra Jair Bolsonaro, pai de Flávio. As sanções vieram com base na Lei Magnitsky, que bloqueia bens e vistos de estrangeiros. No mesmo período, Trump ligou uma tarifa de 50% ao julgamento de Jair. Segundo a Axios, essa tarifa foi depois retirada.

Do agradecimento ao pedido de suspensão

Em 28 de março de 2026, na conferência conservadora CPAC, no Texas, Flávio fez um discurso. Ele disse que o Brasil seria a saída dos Estados Unidos para a dependência da China em terras raras. CPAC é a sigla de Conservative Political Action Conference, um encontro da direita americana. Ele também pediu que o “mundo livre” acompanhasse a eleição brasileira. Os políticos Boulos e Lindbergh acusaram Flávio de oferecer recursos para obter apoio estrangeiro.

Em 6 e 7 de julho de 2026, ele pediu ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) que suspendesse as tarifas de 25% sobre produtos do Brasil. Na ocasião, culpou o governo Lula pelas tarifas. Essas tarifas de 25% entraram em vigor em 15 de julho, ou seja, o pedido não impediu sua aplicação.

É verdade que ele pediu a suspensão. A versão de Flávio é que a viagem defendia empresas brasileiras. No debate da Band, em 18 de outubro, ele disse isso ao responder a Lula, que o questionou sobre terras raras.

Sobre terras raras, um grupo de minerais estratégicos, ele falou em parcerias de longo prazo com os EUA e em investimento protegido. Não encontramos proposta explícita de venda do recurso. Um documento com a marca da campanha propunha uma aliança mineral com os EUA. Seu autor, André Marinho, do Novo, diz que foi um exercício pessoal e que nunca foi enviado.

Em números, a tarifa de 2026 é a metade da de 2025: 25% contra 50%. Ainda assim, ela pesa sobre produtos brasileiros desde 15 de julho. Segundo a Axios, a de 2025 foi depois retirada. A de 2026 entrou em vigor no dia 15.

O contraste com o governo Lula é direto. O Plano Brasil Soberano oferece R$ 30 bilhões em crédito a exportadores atingidos pelo tarifaço. Um lado pediu aos Estados Unidos que suspendessem tarifas. O outro criou crédito para quem as sentiu no bolso.

O que dizem o agro e as pesquisas

Líderes do agronegócio, que não quiseram se identificar, disseram ao O Globo que a viagem de Flávio a Washington foi “contraproducente”. Segundo eles, a estratégia pôs a ideologia acima do campo.

Uma pesquisa Quaest, citada pela Reuters, mostrou que 42% dos entrevistados se diziam mais inclinados a Lula por causa das tarifas. Para 27%, as tarifas os tornavam mais inclinados a Flávio. A diferença é de 15 pontos percentuais, a favor de Lula.

Em 16 de junho de 2026, o STF condenou Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, a 4 anos e 2 meses de prisão por coação. Ele já havia perdido o mandato em dezembro de 2025. Segundo a Agência Brasil, o tribunal entendeu que ele buscou tarifas e sanções americanas para tentar impedir o julgamento do pai. Eduardo diz que, se Flávio vencer, atuará nos EUA para retomar as sanções contra Moraes.

Em um ano, Flávio passou de agradecer uma tarifa a pedir a suspensão de outra Datas dos fatos, de julho de 2025 a julho de 2026

Data Fato
9/7/2025 Flávio agradece a Trump, no X, pela tarifa de 50% e depois apaga a postagem
30/7/2025 Sanções a Moraes; Trump liga a tarifa de 50% ao julgamento de Jair
16/6/2026 STF condena Eduardo a 4 anos e 2 meses de prisão por coação
6–7/7/2026 Flávio pede ao USTR a suspensão das tarifas de 25% e culpa o governo Lula
15/7/2026 Tarifas de 25% entram em vigor

Fonte: SBT News, CNN Brasil, Agência Brasil, Reuters, Axios. Elaboração: redação.

O que diz Flávio Bolsonaro: Em entrevista à CNN Brasil, disse ter se arrependido da postagem sobre as tarifas de Trump, em 2025. No debate da Band, em 18 de outubro de 2026, afirmou que foi aos Estados Unidos para defender empresas brasileiras.

O que isso significa

Flávio sustenta que a viagem e os pedidos defendiam o país. Os registros mostram outra sequência: um agradecimento a uma tarifa em 2025, um pedido de suspensão de outra em 2026 e um irmão condenado por buscar sanções americanas. Segundo a Axios, Trump ainda não apoiou Flávio formalmente.

Ficam em aberto duas questões até o segundo turno, em 25 de outubro. A primeira é se Trump vai apoiar Flávio. A segunda é se as sanções contra Moraes serão restabelecidas caso ele vença.

O que os registros mostram é uma mudança de tom em um ano. Em 2025, a tarifa foi motivo de agradecimento. Em 2026, foi motivo de pedido de suspensão. Essa sequência é o dado central para o eleitor que quer entender a política externa da disputa.

Como fizemos: Os fatos vêm do dossiê de pesquisa sobre Flávio Bolsonaro, de 19 de outubro de 2026, com os links indicados em Fontes. O valor do Plano Brasil Soberano vem da Agência Brasil. Não consultamos o post original de 2025 no X, que foi apagado, nem todos os textos originais citados. A pesquisa Quaest aparece como citada pela Reuters: não verificamos seu registro no TSE, a margem de erro nem o período de coleta. A diferença de 15 pontos percentuais e a comparação de 25% com 50% são nossas contas, feitas sobre os números citados. O dossiê não informa se a condenação de Eduardo ainda pode ser recorrida. A fala dos líderes do agro vem de reportagem do O Globo, reproduzida pelo Imirante, fora do dossiê; não consultamos o texto original. Os dados não mostram a intenção de Flávio.

Fontes