Política

Flávio ligou urnas à Smartmatic a embaixadores; TSE diz que é falso

Em almoço com embaixadores, em julho, Flávio associou as urnas à Smartmatic; o TSE diz que a empresa não as forneceu, e a campanha não corrigiu.

Pessoa fantasiada de urna eletrônica, com teclado numérico e teclas Branco, Corrige e Confirma, em auditório do TSE; ao lado, uma mulher de blazer branco aplaude.
Mascote da urna eletrônica em cerimônia dos 30 anos da urna, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, em 4 de maio de 2026.Foto: Alejandro Zambrana / Secom / TSE / Wikimedia Commons (domínio público)

Em 21 de julho de 2026, Flávio Bolsonaro (PL) almoçou com embaixadores estrangeiros em Brasília. Ali, o senador disse que “muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”. Segundo o Metrópoles, o almoço fazia parte do evento Debating Brazil, num restaurante de um hotel de Brasília. A empresa citada era a Smartmatic. Ele não explicou a ligação e pediu aos países presentes que enviassem o maior número possível de observadores.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diz que a afirmação é falsa. Em nota atualizada em 8 de julho de 2026, o tribunal afirma que a Smartmatic “não forneceu nem fornece” urnas ao Brasil. Segundo o TSE, a empresa só prestou serviços de dados e de conexão de voz, e perdeu a licitação de 2020 para a Positivo.

A campanha respondeu que Flávio tem “integral confiança no sistema eleitoral brasileiro”. O Metrópoles resumiu o caso no título: ele diz confiar no sistema, mas não corrige o dado falso. O site lembrou um precedente: um encontro semelhante com embaixadores levou o TSE a tornar Jair Bolsonaro inelegível, ou seja, impedido de disputar eleições, por oito anos.

Um padrão de ataque e recuo

Não é a primeira vez que Flávio põe em dúvida as urnas. Segundo o Jornal de Brasília, o padrão se repete desde outubro de 2022: ataques seguidos de recuos. Em setembro de 2022, depois de o TSE anunciar testes de integridade em 56 urnas, ele disse que a possibilidade de fraude era “quase zero”. Dias depois, perguntado sobre fraude, respondeu que “não aconteceu, mas podia ter acontecido”.

Em 2023, ele coassinou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para voto impresso. Em abril de 2024, no programa Roda Viva, disse: “Não adianta mais ficar discutindo isso daqui”. Logo depois, porém, voltou ao tema e ligou a resistência ao voto impresso aos atos de 8 de janeiro. Em março de 2026, numa conferência conservadora no Texas, afirmou que venceria se os votos fossem “contados corretamente”.

Da invasão à remoção de publicações

Em 8 de janeiro de 2023, houve os ataques ao Congresso, ao Planalto e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Naquele dia, Flávio negou em um grupo de senadores no WhatsApp qualquer relação do pai com as invasões. A mensagem foi enviada às 15h24, segundo o Poder360. Ele afirmou que a culpa “DEFINITIVAMENTE não é do Bolsonaro!” e chamou o TSE de “absurdamente parcial”, segundo o Poder360.

Em 8 de outubro de 2026, o TSE mandou remover três publicações de Flávio no X. Uma era um vídeo feito com inteligência artificial, sem aviso de manipulação. As outras duas ligavam Lula ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) sem base factual, segundo o tribunal.

Em 16 de outubro, em entrevista à TV Globo, ele sustentou que a tentativa de golpe se limitou à invasão de prédios. O Aos Fatos classificou a afirmação como falsa. Em setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Jair Bolsonaro por 4 votos a 1. Foram cinco crimes, entre eles golpe de Estado, e a pena é de 27 anos e 3 meses de prisão, segundo a CNN Brasil.

O que diz Flávio Bolsonaro: Em nota da pré-campanha, assinada por Flávio, Rogério Marinho e Maria Claudia Bucchianeri, a equipe disse que ele apenas relatou dois fatos públicos e tem “integral confiança no sistema eleitoral brasileiro” (Metrópoles, 21 de julho).

O que isso significa

A afirmação sobre a Smartmatic é falsa, segundo o TSE, e a campanha não a corrigiu. Desde 2022, a dúvida sobre as urnas aparece, recua e volta. Em outubro, o próprio TSE mandou remover publicações dele. A checagem do Aos Fatos sobre a fala de 16 de outubro classifica como falsa a versão de que o 8 de janeiro se limitou à invasão de prédios.

Faltam quatro dias para o segundo turno, em 25 de outubro. O eleitor vota nas urnas eletrônicas que Flávio associou, sem explicar a ligação, a uma empresa que, segundo o TSE, nunca as forneceu. Essa dúvida, lançada em julho, segue sem correção pública da campanha.

Como fizemos: Usamos a seção sobre eleições e urnas do dossiê da redação sobre Flávio Bolsonaro, e conferimos datas e citações nas reportagens listadas em Fontes, acessadas em 21 de outubro de 2026. Não conseguimos abrir a página do TSE de 8 de outubro; a remoção consta do dossiê. A fala de 16 de outubro foi dada em entrevista à TV Globo, segundo o Aos Fatos. Não houve contato direto com a campanha; a posição citada é a publicada.

Fontes