Justiça e Segurança

Moraes manda bloquear até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz

Decisão do STF quebra sigilos bancário e fiscal e cancela passaportes do advogado, investigado pela PF por suspeita de lavagem de dinheiro.

Alexandre de Moraes, de toga preta e gravata azul, em foto de cerimônia oficial
Alexandre de Moraes, ministro do STF, em cerimônia em Brasília, em 2022. Ele é o relator do caso.Foto: Isac Nóbrega / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na sexta-feira (23), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões do advogado Willer Tomaz. Bloquear significa congelar bens, que ficam impedidos de venda ou uso. A medida atinge bens móveis e imóveis, além de aviões e barcos, segundo a Agência Brasil.

Tomaz é investigado pela Polícia Federal (PF). Investigado é quem é alvo de apuração. Réu é quem já responde a processo criminal na Justiça. Tomaz está no primeiro caso, e as reportagens não citam denúncia contra ele.

Além do bloqueio, Moraes quebrou os sigilos bancário, fiscal e cambial de Tomaz e de empresas ligadas a ele. Quebrar o sigilo dá às autoridades acesso a dados que a lei protege. Segundo o Metrópoles, os bancos têm 24 horas para enviar as informações.

O ministro também cancelou os passaportes do advogado, inclusive o diplomático, e suspendeu as atividades das empresas dele. Segundo o Metrópoles, Moraes avaliou que a saída de Tomaz do país aumenta o risco de destruição de provas. O foco são recursos e empresas no exterior.

O valor de R$ 6 bilhões é um teto. A CartaCapital informa que não se trata de dinheiro já confirmado como bloqueado.

Como o caso chegou ao STF

A investigação começou como inquérito da PF no Rio Grande do Sul. A suspeita é de evasão de divisas, ou seja, envio de dinheiro ao exterior sem registro legal, e de lavagem de dinheiro com sites de apostas online, as bets. Os autos chegaram ao STF em 8 de outubro, segundo a CartaCapital.

Em agosto, a PF cumpriu mandados contra Tomaz na Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em aposentadorias do INSS. A Agência Brasil diz que a operação aparece como contexto, sem afirmar que ela é o inquérito desta decisão. Em 21 de agosto, Tomaz viajou a Miami, nos Estados Unidos, e não há registro de volta, segundo o Metrópoles e a CartaCapital.

O elo com Flávio Bolsonaro

Nos dados de Tomaz, a PF encontrou um e-mail que indica Flávio Bolsonaro (PL) como “usuário master” de uma conta da Alcazar Holdings no Santander, segundo o Metrópoles. Usuário master é quem administra a conta no banco. Em 22 de maio de 2025, uma secretária de Tomaz pediu ao banco a retirada do nome do senador, segundo O Globo, citado pelo JB.

Para os investigadores, o cargo pode indicar participação econômica do senador na empresa. Alguns veículos chamam Tomaz de sócio de Flávio. As reportagens consultadas não comprovam sociedade, e os dois negam. Nelas, não há denúncia contra o senador.

Segundo a Terra, a defesa de Tomaz diz que as medidas são “desproporcionais”. A defesa afirma que “é falsa a informação de que Flávio Bolsonaro seria ‘usuário master’ de conta da Alcazar”. Os dois, segundo a defesa, “são amigos, e um nunca movimentou recursos do outro”.

O gabinete de Flávio afirmou, em 19 de outubro, que “a única relação existente entre eles é a de amizade entre as famílias”. Segundo a Jovem Pan, o senador chamou as acusações de “fake news”.

O que dizem Flávio Bolsonaro e a defesa de Willer Tomaz: O gabinete do senador diz que há só amizade entre as famílias e nega ter conta com Tomaz como “usuário master”. A defesa de Tomaz afirma que as medidas são “desproporcionais” e nega movimentações de Flávio nas contas.

O que vem a seguir

A PF ainda analisa os dados apreendidos. Investigação não é condenação, e as reportagens não relatam condenação de nenhum dos citados. O bloqueio é um teto, e o valor real ainda depende da análise das contas.

A medida veio às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, em que Flávio é candidato. A defesa de Tomaz questiona o momento da divulgação. O caso segue no STF, sob relatoria de Moraes.

Como fizemos: Reunimos reportagens publicadas entre 14 e 24 de outubro de 2026, acessadas em 24 de outubro de 2026, além de texto da Agência Brasil. Não consultamos o texto da decisão no site do STF, e não localizamos o número do inquérito. Os valores são os informados pelas reportagens, sem conferência nos autos. A Agência Brasil disse que buscava contato com a defesa, e o texto não traz resposta.

Fontes