Economia

BNDES aprova R$ 298 milhões à Althaia para remédios e pesquisa

A farmacêutica Althaia, de Atibaia (SP), terá R$ 198 milhões para 31 medicamentos e R$ 100 milhões em pesquisa; não há compra do SUS citada.

Ilustração abstrata em degradê verde e amarelo, nas cores da publicação
Imagem provisória, em degradê verde e amarelo, sem relação visual direta com o tema.Ilustração: Imagem provisória

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 298 milhões em financiamentos para a farmacêutica Althaia, de Atibaia (SP). A notícia foi publicada em 24 de outubro de 2026 e atribui os números a uma coluna da Folha de S.Paulo.

Do total, R$ 198 milhões vão para desenvolver 31 medicamentos. Outros R$ 100 milhões financiam pesquisa de novas moléculas, substâncias químicas que podem virar remédio. O dinheiro vai a uma empresa privada, não a um laboratório público.

O BNDES é o banco de desenvolvimento do governo federal. Ele empresta para investimentos produtivos, como fábricas e centros de pesquisa. Os financiamentos à indústria farmacêutica usam a linha BNDES Mais Inovação, que apoia projetos de inovação das empresas.

A Althaia já havia recebido dois financiamentos do banco em 2024. Um, de R$ 141,5 milhões, cobre o plano de inovação de Atibaia entre 2024 e 2027, com dois medicamentos inéditos e 16 genéricos. O outro, de R$ 70 milhões, pagou um novo centro de pesquisa na mesma cidade. As reportagens de 2026 não dizem se a operação soma-se a esses projetos.

O que está nos R$ 298 milhões

Como os R$ 298 milhões se dividem Valores em R$ milhões, informados em 24 de outubro de 2026

Destino Valor (R$ milhões)
Desenvolvimento de 31 medicamentos 198
Pesquisa de novas moléculas 100
Total 298

Fonte: Brasil 247, com dados da coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo. Elaboração: redação.

Segundo as reportagens, os 31 medicamentos incluem 20 genéricos inéditos no Brasil. Genérico é a cópia de um remédio cuja patente já venceu. Os outros 11 são versões melhoradas de produtos existentes, como novas formulações.

A pesquisa de novas moléculas mira obesidade, distúrbios metabólicos e doenças neurodegenerativas. Há ainda um projeto com peptídeos, pequenas cadeias de aminoácidos, para a sarcopenia, a perda de massa muscular. Parte do dinheiro compra equipamentos para o Epicenter, centro de pesquisa da Althaia feito com a Embrapii, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial.

Por que a produção nacional entra no debate

A dependência de insumos de fora é o ponto de partida desse debate. Insumo farmacêutico ativo (IFA) é a substância que faz o efeito do remédio. Segundo Reginaldo Arcuri, presidente do Grupo FarmaBrasil, o déficit do setor atingiu US$ 13 bilhões entre 2024 e 2025. Ele também disse que o país importa mais de 90% dos IFAs.

Essas são declarações do executivo, em entrevista ao Poder360, e não estatísticas oficiais de comércio exterior. Mesmo assim, ajudam a dimensionar o problema.

Os limites do modelo

Há críticas a políticas de parceria com a indústria. Em setembro de 2023, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Ministério da Saúde deixasse de assinar novas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs). Nelas, uma empresa privada transfere tecnologia a um laboratório público, que passa a produzir remédios para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o tribunal, “até junho de 2022, mais de R$ 26 bilhões foram aplicados na iniciativa”. A auditoria também apontou ausência de critérios objetivos para escolher produtos e parceiros.

O financiamento do BNDES não é uma PDP. Ainda assim, a pergunta vale para qualquer dinheiro público: quais metas, prazos e resultados serão cobrados?

O que diz o BNDES: A redação não localizou nota oficial do banco sobre a operação. O Brasil 247, que cita a coluna da Folha, relata que o diretor José Luis Gordon afirmou que o financiamento busca estimular o desenvolvimento de medicamentos no Brasil. A reportagem parafraseia a fala e não traz citação direta.

O que isso significa

Até aqui, o que se sabe é um financiamento de R$ 298 milhões a uma empresa, com metas de 31 medicamentos e de pesquisa. Não se sabe quais são os 31 produtos nem quando chegam ao mercado.

Para o SUS, a pergunta central é a compra. Sem contrato de compra, um medicamento pode não chegar ao paciente da rede pública. As reportagens consultadas não tratam desse ponto.

Como fizemos: Lemos as reportagens do Brasil 247 e do Plantão Brasil, publicadas em 24 de outubro de 2026, que atribuem os valores à coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo. Não localizamos a nota do BNDES nem a coluna original. Os financiamentos de 2024 vêm de reportagens do Mercado&Consumo, de fevereiro e março daquele ano. O déficit de US$ 13 bilhões e a dependência de IFAs são declarações de Reginaldo Arcuri, sem dado oficial citado. As duas reportagens de 2026 divergem: uma atribui frases diretas ao diretor do BNDES e a outra só o parafraseia; usamos a paráfrase. A redação não ouviu o BNDES nem a Althaia antes da publicação.

Fontes