Economia

ONS adota operação especial para proteger a energia no segundo turno

O ONS restringe obras que possam causar corte de carga e manda as empresas manterem equipes de sobreaviso entre sábado (24) e segunda (26).

Subestação da Eletrobras com torres de transmissão e placa com o nome Subestação Campos Novos, às margens de uma estrada
Subestação Campos Novos, da Eletrobras Eletrosul, em Santa Catarina. Instalações como esta compõem a rede de transmissão de energia.Foto: Deyvid Setti e Eloy Olindo Setti / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Entre a meia-noite de sábado (24) e as 7h de segunda-feira (26), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vai rodar uma operação especial. O objetivo é reforçar a segurança do fornecimento de energia no segundo turno, no domingo (25).

O ONS é uma associação civil sem fins lucrativos. Ele coordena e controla a operação das usinas e das linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional (SIN), a rede que liga a maior parte do país. Pelo decreto que regulamenta o órgão, sua atuação é fiscalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

O que muda na operação

Segundo a Agência Brasil, o plano limita obras e manutenções programadas que possam afetar o SIN. Também prevê monitoramento mais forte da rede e do clima. Pelo documento técnico citado pelo Cenário Energia, não são permitidas obras que possam causar corte de carga, ou seja, desligar consumidores.

Só serviços urgentes podem seguir, desde que ligados a vidas, à integridade de equipamentos ou à segurança do SIN. As empresas de geração, transmissão e distribuição devem manter equipes de sobreaviso, isto é, equipes de plantão prontas para emergências.

No dia da votação, o tronco de transmissão entre as subestações de Foz do Iguaçu (PR) e Tijuco Preto (SP) deve atender ao critério N-3. Esse critério exige que o sistema siga funcionando mesmo após três falhas simultâneas de equipamentos.

O ONS também troca informações com o Ministério de Minas e Energia (MME), a ANEEL, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os tribunais regionais eleitorais (TREs). As fontes consultadas não informam o tamanho das equipes nem o volume de energia de reserva.

No primeiro turno, em 4 de outubro, o ONS adotou as mesmas medidas, na janela de 3 a 5 de outubro. Segundo o relatório do operador citado pela Agência Brasil, não houve ocorrências na rede que causassem corte de carga ou afetassem o processo eleitoral.

E se a luz cair na seção

A urna eletrônica tem bateria interna. Em 2022, a Exame informou que as urnas continuam funcionando normalmente com o conjunto de baterias. Em 2 de outubro deste ano, o Canal Solar citou o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP): a autonomia seria de cerca de 12 horas contínuas.

Na mesma reportagem de 2022, a Exame dizia que a votação vai das 8h às 17h. Uma bateria de 12 horas cobriria essa janela de nove horas. A conta é nossa, feita com os dois números.

O que diz o ONS: Em documento técnico, o operador afirma que a operação busca reforçar a segurança do fornecimento de energia no segundo turno, segundo o Cenário Energia. O documento, o CTA-ONS DOP 1414/2026, é assinado pelo diretor de operação, Valter Luiz Cardeal de Souza.

O que isso significa

A operação cobre o período da votação e termina às 7h de segunda-feira. Para o eleitor, a falta de luz em uma seção não deveria impedir a votação, segundo as fontes acima. Mas o número oficial de autonomia por modelo de urna não apareceu nas fontes que conseguimos abrir.

O ONS é uma entidade privada, mas atua sob regulação do Estado. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), empresa pública vinculada ao MME, faz estudos que subsidiam o planejamento do setor. A lei que autorizou sua criação é a Lei nº 10.847, de 2004.

O balanço do segundo turno ainda não existe, porque a eleição acontece no domingo. O que o público deve acompanhar é o relatório que o operador divulga depois da operação.

Como fizemos: Lemos a reportagem da Agência Brasil de 23 de outubro de 2026, em versão extraída do site, e a versão publicada pelo Acessa em 2 de outubro, além de Cenário Energia e Canal Solar, acessados em 24 de outubro de 2026. O decreto que regulamenta o ONS foi conferido na Câmara dos Deputados. Não conseguimos abrir os sites do ONS, do TSE e do TRE-SP, então a autonomia da bateria vem de reportagem que cita o TRE-SP. A conta de nove horas, entre 8h e 17h, é nossa.

Fontes