Dólar fecha abaixo de R$ 5 na véspera do 2º turno
O dólar fechou a R$ 4,993 na sexta-feira (23), com queda de 1,58% na semana, e o Ibovespa subiu 0,47%, para 205.082 pontos.

O dólar fechou abaixo de R$ 5 na sexta-feira (23). A cotação foi de R$ 4,993, e a moeda americana caiu 1,58% na semana, segundo a Agência Brasil. Foi o último pregão antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).
A queda ganhou força com o primeiro turno, realizado em 4 de outubro. No primeiro pregão seguinte, em 5 de outubro, o dólar já tinha recuado para R$ 5,0022, com queda de 4,12%. Desde a sexta-feira anterior ao primeiro turno, a moeda acumula recuo de cerca de 4,3%.
Quanto o dólar caiu desde o primeiro turno
A taxa de câmbio é o preço de um dólar em reais. Quando ela cai, cada real compra mais dólares. Isso muda a conta de quem compra ou vende produtos cotados em moeda estrangeira.
Dólar caiu cerca de 4% desde a véspera do primeiro turno Fechamento à vista, em R$, em datas selecionadas de outubro de 2026
| Data | Dólar (R$) |
|---|---|
| 2/10, sexta antes do 1º turno | 5,2175 |
| 5/10, primeiro pregão após o 1º turno | 5,0022 |
| 23/10, sexta antes do 2º turno | 4,993 |
Fonte: Agência Brasil (5/10 e 23/10). O valor de 2/10 é cálculo da redação a partir da queda de 4,12% informada em 5/10. Elaboração: redação.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de São Paulo, fechou a sexta em 205.082,56 pontos, com alta de 0,47%. Ainda assim, ficou cerca de 1% abaixo do fechamento de 5 de outubro, quando marcou 207.190,44 pontos.
Por que o câmbio se move na véspera
Segundo a Agência Brasil, investidores ajustaram posições diante das expectativas para o resultado da disputa. A reportagem não cita analistas nomeados.
Em 21 de outubro, o Money Times ouviu analistas sobre o tema. Emerson Junior, da Convexa Investimentos, disse que a disputa acirrada entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) aumentou a procura por proteção no câmbio. Vitor Kayo, economista da Nomad, afirmou que o câmbio segue “sensível ao noticiário eleitoral”.
O que diz o Banco Central: Em 1999, o BC anunciou que não manteria mais a taxa de câmbio dentro de limites pré-estabelecidos, segundo apresentação oficial sobre os dez anos do câmbio flutuante. Pelo regime flutuante, o preço do dólar é formado pelo mercado.
O que muda no preço e no agro
O petróleo é cotado em dólar. A Agência Brasil informou que o Brent, referência do mercado internacional, subiu 3,13% na sexta, para US$ 116,72, em meio a tensões no Oriente Médio. Um dólar mais barato pode ser compensado por um barril mais caro. Não encontramos comunicado da Petrobras sobre reajuste de gasolina ou diesel em outubro.
No trigo, o efeito é mais direto. A Conab, Companhia Nacional de Abastecimento, estima importações de 7,103 milhões de toneladas para a safra 2026/27, segundo o Agrolink. Em agosto, a reportagem resumiu a lógica: “Real forte significa trigo importado mais barato em reais”. Pelo mesmo texto, “trigo importado mais barato é teto para o preço interno”.
Para o agro exportador, a conta é oposta. Quem vende em dólar recebe menos reais por cada venda. Quem compra insumos importados paga menos em reais.
O que isso significa
A queda do dólar está documentada, e a moeda segue sensível ao noticiário da eleição. O resultado de domingo deve pesar mais no câmbio do que a cotação de sexta. Os efeitos sobre preços dependem também do petróleo, da safra e de decisões de empresas, e levam tempo para aparecer.
Como fizemos: Usamos as cotações de fechamento publicadas pela Agência Brasil em 5 e 23 de outubro de 2026, e as falas de analistas do Money Times de 21 de outubro, acessadas em 24 de outubro de 2026. O fechamento de 2 de outubro é cálculo nosso: R$ 5,0022 dividido por 0,9588 (queda de 4,12%), o que dá cerca de R$ 5,2175. A queda de 4,3% e a variação da Bolsa, de cerca de −1,0% entre 5 e 23 de outubro, também são nossas contas. Não tivemos acesso a dados da B3 nem do Banco Central, e as cotações podem ser revisadas.
Fontes
- Dólar fecha abaixo de R$ 5 e recua 1,58% na semana — Agência Brasil (acesso em 24/10/2026)
- Dólar cai a R$ 5 e bolsa sobe quase 8% após primeiro turno — Agência Brasil, republicada pelo Acessa (acesso em 24/10/2026)
- Dólar — Money Times, 21/10/2026 (acesso em 24/10/2026)
- Trigo: Brasil vai importar 7,1 milhões de toneladas, o maior volume em quase 20 anos — Agrolink, 21/08/2026 (acesso em 24/10/2026)
- 10 anos de câmbio flutuante no Brasil — apresentação do Banco Central do Brasil (acesso em 24/10/2026)



