Economia

Ibovespa cai 0,86% na quarta e dólar sobe antes do segundo turno

Ibovespa subiu na terça (20) e caiu 0,86% na quarta (21), com o dólar perto de R$ 5,03. Movimentos de bolsa dizem pouco sobre o preço do que você compra.

Fachada de pedra com três portões de ferro em arco e o nome Bovespa em letras douradas, no centro de São Paulo.
Entrada do edifício histórico da Bovespa, a bolsa de valores de São Paulo, no centro da cidade.Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na terça-feira (20), o Ibovespa fechou em alta de 1,57%, aos 208.295,98 pontos. Na quarta-feira (21), caiu 0,86%, aos 206.495,23 pontos. O dólar subiu 0,17% na quarta e fechou a R$ 5,027.

O Ibovespa é o principal índice da B3, a bolsa de valores de São Paulo, e reúne as ações mais negociadas do país. O dólar mostra quantos reais custa uma unidade da moeda americana. As duas cotações mexem com a eleição, marcada para domingo, 25 de outubro.

A semana mostra o que o mercado aposta sobre a eleição. Diz menos sobre o que a população vai pagar no supermercado ou no posto de combustível.

O que mexeu com a Bolsa e o dólar

Na segunda-feira (19), o Ibovespa recuou 0,17%, para 205.079,25 pontos. O dólar caiu 0,50%, para R$ 5,0476, segundo a CNN Brasil. Naquele dia, pesquisas eleitorais divulgadas pela manhã mostravam a disputa apertada.

Na terça, a InfoMoney atribuiu a alta à liderança de Flávio Bolsonaro nas sondagens. Segundo a reportagem, isso “deu força para o Ibovespa, em dia de agenda fraca de indicadores”. Wall Street fechou em alta mista, e a queda do petróleo ajudou.

Na quarta, o movimento virou. A InfoMoney atribuiu a mudança ao “trade eleitoral”, depois de uma pesquisa Quaest mostrar Flávio Bolsonaro e Lula praticamente empatados.

Ibovespa e dólar na semana do segundo turno Fechamento de cada pregão, em pontos e em reais, com a variação do dia

Pregão Ibovespa Dólar
Segunda (19/10) 205.079 (-0,17%) R$ 5,0476 (-0,50%)
Terça (20/10) 208.296 (+1,57%) R$ 5,019 (-0,58%)
Quarta (21/10) 206.495 (-0,86%) R$ 5,027 (+0,17%)

Fonte: InfoMoney (20 e 21/10/2026) e CNN Brasil (19/10/2026). Elaboração: redação.

Por que o dólar importa no prato e no tanque

Quando o dólar sobe, o que o Brasil compra de fora tende a ficar mais caro em reais. Esse efeito chega aos preços de forma desigual. Depende do produto, do tamanho da cadeia e de decisões de empresas.

O exemplo mais claro é o fertilizante. Em março de 2022, a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) afirmou que “mais de 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados”. É o dado mais recente que conferimos diretamente. Ele é de 2022.

No combustível, o efeito passa pela Petrobras. Segundo o Poder360, o modelo de preços anterior a 2023 considerava a “volatilidade da taxa de câmbio e dos preços praticados em portos”.

O que diz a Petrobras: Ao anunciar a nova política de preços, em maio de 2023, a empresa afirmou que “não deixa de levar em conta o mercado internacional” (Poder360, 16/05/2023). A redação não entrou em contato para esta reportagem.

Por que as oscilações da eleição enganam

Gestores ouvidos pela InfoMoney dizem que os movimentos atuais refletem apostas. França, da Paramis, afirmou que a alta “não é mudança de cenário, mas uma reação a uma probabilidade menor de Flávio ganhar”.

Menezes, da Armor Capital, foi mais direto: “Pode ser um tipo de voo de galinha”, ou seja, uma subida rápida que não se sustenta. Cesario, da Asset1, disse que “o mercado já precificou uma chance maior de Flávio, mas ainda não precificou aquele cenário”.

Os cenários dos gestores também variam muito. Motta, da Genial Investimentos, estima dólar entre R$ 4,00 e R$ 4,75 com Flávio, e entre R$ 5,50 e R$ 6 com Lula. São projeções de profissionais de mercado, não previsões oficiais.

O que isso significa

Entre a segunda e a quarta, o Ibovespa subiu cerca de 0,7%, e o dólar caiu cerca de 0,4%. As cotações oscilaram com as pesquisas, sem uma tendência firme. Para quem compra alimento, combustível ou insumo, o efeito do câmbio é indireto e pode demorar a aparecer.

A votação vai das 8h às 17h de domingo (25), segundo o Congresso em Foco. Até lá, as cotações tendem a seguir as pesquisas, como mostrou a semana.

Como fizemos: Usamos os fechamentos publicados pela InfoMoney (20 e 21/10/2026) e pela CNN Brasil (19/10/2026, e 22/10/2026 para o dólar de 21/10), acessados em 22/10/2026. Não conferimos os valores diretamente na B3 nem no Banco Central. As fontes usam séries de dólar diferentes, à vista e comercial, por isso as variações são aproximadas. Calculamos a variação de segunda (Ibovespa de 205.079,25) a quarta (206.495,23): +0,69%; e do dólar, de R$ 5,0476 a R$ 5,027: -0,41%. As projeções citadas são estimativas dos gestores, não nossos cálculos. Nenhum desses números antecipa o resultado da eleição.

Fontes