Flávio e a Petrobras: do sim à privatização à 'boataria'
Em 2022, Flávio disse que o pai liberou estudos para privatizar a Petrobras; em 2025, falou em vender partes; agora, chama o tema de 'boataria'.

Em 9 de outubro, Flávio Bolsonaro classificou como “boataria” as notícias de que privatizaria a Petrobras. Acusou Lula de usar a estatal na eleição. Em 16 de outubro, em entrevista à Globo, voltou ao tema e chamou de terrorismo a acusação de que venderia a empresa. A agência Aos Fatos checou a fala. Concluiu que, ao negar, ele omitia as próprias declarações e as de sua equipe.
O registro mostra um candidato que mudou de posição mais de uma vez em quatro anos. Não há prova de que ele vá privatizar a Petrobras, e este texto não afirma isso. O que há são declarações, em vídeo e em entrevistas, que contradizem a negativa atual.
O que ele disse antes
Em 5 de abril de 2022, Flávio afirmou, em entrevista ao UOL, que o pai havia dado aval para estudar a privatização da Petrobras. Naquele ano, o então ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, pediu estudos sobre a venda da empresa. Hoje, Sachsida é um dos nomes cotados para a equipe econômica de Flávio.
Em 22 de dezembro de 2025, já pré-candidato, Flávio falou à agência Reuters. Disse que a Petrobras é complexa demais. As partes que funcionam deveriam ficar, e as que não funcionam poderiam ser privatizadas. Na mesma entrevista, defendeu um governo enxuto e privatizações para modernizar o Estado, segundo o InfoMoney.
Em fevereiro de 2026, o tom mudou. Flávio disse que uma empresa estratégica e monopolista não pode simplesmente ser vendida.
Em 13 de agosto, a campanha registrou o plano de governo. O texto não cita a Petrobras. Mas retoma o Programa Nacional de Desestatização “caso a caso”, sem lista de empresas. Desestatizar é transferir ao setor privado empresas ou serviços que hoje pertencem ao governo. Prevê também rever a Lei das Estatais, abrir o mercado de gás e ampliar o fraturamento hidráulico, técnica de extração de gás conhecida como fracking.
O que a equipe diz agora
As vozes da campanha não falam a mesma língua. Em 18 de agosto, o coordenador Rogério Marinho disse que não há plano para privatizar a Petrobras, mas não descartou a venda de ativos. Ativos são partes da empresa, como refinarias e subsidiárias.
Em 25 de agosto, o consultor de energia Adriano Pires disse que uma capitalização da empresa “poderia ser debatida”, embora não esteja no programa. Capitalizar é vender novas ações, o que pode reduzir a fatia do governo.
Em 8 de outubro, Sachsida afirmou que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa não serão tocados. A revista Forbes observou que ele não disse se a garantia vale para as demais estatais. Para quem quer saber o destino das outras empresas públicas, esse silêncio pesa. É o mesmo Sachsida que, como ministro, pediu os estudos de privatização em 2022.
A disputa também chegou à bomba de combustível. Previsões de gasolina a R$ 12 ou R$ 15 com Flávio não têm comprovação e devem ser tratadas como especulação. O mesmo vale para os números de R$ 10 e R$ 15 citados por críticos nas redes. Nenhuma posição dele foi encontrada sobre a volta do Preço de Paridade de Importação (PPI), regra que acompanha o mercado internacional. O plano promete reduzir impostos sobre combustíveis.
Críticos apontam um dado mais concreto. Segundo o Brasil de Fato, de linha de esquerda, refinarias vendidas no governo Bolsonaro, como a REAM, em Manaus, cobram preços iguais ou acima do PPI.
O que diz Flávio Bolsonaro: Ele nega qualquer plano de privatizar a Petrobras, chama o assunto de “boataria” e acusa Lula de usar a estatal com fins eleitorais. Sua equipe afirma que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa não serão privatizados.
A política de preços da Petrobras chega ao bolso de todo motorista e de quem depende de frete. O eleitor tem direito a uma posição estável sobre ela. Flávio já defendeu estudar a privatização, já defendeu vender partes e hoje chama o tema de boato. Antes do dia 25, a pergunta continua sem resposta firme: o “caso a caso” do plano inclui ou não a Petrobras?
Fontes
- Flávio Bolsonaro diz que pai deu ok para estudar privatização da Petrobras — UOL no YouTube
- Flávio Bolsonaro defende governo enxuto e privatizações para modernizar o Estado — InfoMoney
- Plano de Flávio Bolsonaro abraça espólio petista, incluindo agenda do gás — eixos
- Marinho diz que Petrobras é estratégica e não há plano de privatizá-la — CNN Brasil
- Aliado de Flávio defende debater privatização da Petrobras — SBT News
- Petrobras, BB e Caixa serão privatizados? Veja o que diz coordenador de Flávio — Forbes
- Flávio Bolsonaro descarta privatização da Petrobras como boataria — InfoMoney
- Checamos: Flávio Bolsonaro na Globo, no segundo turno — Aos Fatos



