Economia

Copom decide a Selic em 4 de novembro, com inflação acima do teto

A Selic está em 13,75% ao ano e a inflação de 12 meses chegou a 4,58%, acima do teto da meta. A decisão do Copom sai em 4 de novembro.

Torre de vidro e concreto da sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, com a cidade ao fundo.
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília (arquivo, foto de 2010).Foto: Banco Central do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na terça-feira (3) e na quarta-feira (4) de novembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decide a taxa Selic. Ela é a taxa básica de juros do país e influencia o custo do crédito. A Selic está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro.

A inflação, porém, segue acima do teto da meta. O IPCA, índice oficial de inflação, subiu 4,58% em 12 meses até setembro, segundo dados divulgados em 9 de outubro. O teto da meta é 4,5%. A reunião de novembro é a próxima chance de o Copom ajustar os juros com esse quadro.

O que está em jogo

O Copom cortou a Selic cinco vezes seguidas desde março. Segundo o DGABC, a taxa caiu 1,25 ponto percentual no período. Esse ciclo começou em meio à incerteza sobre os efeitos da guerra no Irã sobre preços de petróleo e cadeias globais.

Na pesquisa Focus de 19 de outubro, a mediana das projeções para a Selic no fim de 2026 ficou em 13,25%. A Focus reúne estimativas de instituições financeiras e não é decisão do BC. Pela conta, isso aponta para dois cortes de 0,25 ponto até dezembro, cálculo nosso sobre a mediana.

Inflação longe da meta

A meta de inflação é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, segundo decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN). Por isso, o teto é 4,5%. Na mesma Focus, a mediana para o IPCA de 2026 ficou em 5,22%, 2,22 pontos acima do centro da meta, cálculo nosso.

Na ata da reunião de setembro, o Copom afirma que expectativas desancoradas exigem juro restritivo por mais tempo, segundo o Sou Brasília. Ou seja, o BC avalia que a inflação esperada pelo mercado ainda pesa na decisão.

Os números que pesam na decisão de novembro Valores de 22 de outubro de 2026, com a data de cada divulgação

Indicador Valor Referência
Selic 13,75% ao ano Em vigor desde 17/9
Focus: Selic no fim de 2026 13,25% Mediana de 19/10
IPCA em 12 meses (setembro) 4,58% Teto da meta: 4,5%
Focus: IPCA de 2026 5,22% Mediana de 19/10; meta de 3%

Fonte: Banco Central, IBGE e pesquisa Focus, conforme reportagens listadas em Fontes. Elaboração: redação.

Crédito e dívida: quem paga a conta

A taxa média do crédito livre para pessoas físicas chegou a 64% ao ano em junho, segundo o BC. Foi uma alta de 4,6 pontos percentuais em 12 meses. Juros tão altos pesam em compras parceladas, empréstimos e no cartão.

A dívida pública também depende dos juros. Nos 12 meses até junho, os juros nominais somaram R$ 1,16 trilhão, equivalentes a 8,8% do PIB, segundo dados do BC. Juros nominais são todos os juros da dívida, sem descontar a inflação.

O que diz o Banco Central: Na ata da reunião de setembro, o Copom afirma que expectativas desancoradas exigem juro restritivo por mais tempo, segundo o Sou Brasília. A redação não conseguiu acessar o site do BC nesta apuração e não houve contato direto com a instituição; a posição vem do texto da ata, como publicado pela imprensa.

O que isso significa

A decisão de 4 de novembro mostra se o BC mantém o ritmo de cortes ou faz uma pausa. A Focus aponta juros menores até o fim do ano, mas a inflação prevista segue acima da meta. O comunicado do Copom, divulgado ao fim da quarta-feira, dirá qual peso o BC dá a cada um desses fatores.

Como fizemos: Usamos a decisão do Copom de 16 de setembro, reportagens sobre a ata publicada em 22 de setembro, a pesquisa Focus de 19 de outubro, o IPCA de setembro divulgado em 9 de outubro e as estatísticas de crédito e de juros da dívida de junho, divulgadas pelo BC em 30 e 31 de julho. Os dados foram acessados em 22 de outubro de 2026. As páginas do bcb.gov.br não carregaram na consulta, por isso os números vêm de reportagens que citam essas fontes. As diferenças de 0,50 ponto (13,75% menos 13,25%) e de 2,22 pontos (5,22% menos 3%) são cálculos nossos.

Fontes