Liberdades

TSE suspende 20 posts contra Lula e veta reposts de Nikolas e Marçal

Duas decisões do TSE, de 19 e 21 de outubro, mandam tirar posts contra Lula e proíbem repostagens de Nikolas e Marçal; não há balanço geral.

Fachada espelhada e curva da sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, com duas cúpulas brancas em primeiro plano e céu com nuvens
Sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, que determinou a remoção das publicações.Foto: Alexandresena / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na quarta-feira (21), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão de 20 postagens ilegais contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. Dois dias antes, na segunda-feira (19), o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, proibiu Nikolas Ferreira e Pablo Marçal de republicar conteúdos já removidos.

São decisões individuais, tomadas em processos diferentes. Não há balanço consolidado delas. O caso mostra onde a Justiça Eleitoral tenta traçar a linha entre retirar conteúdo ilegal e preservar a fala política na reta final da campanha.

Os casos tratam de deepfake, vídeo ou imagem criado por inteligência artificial (IA) para imitar alguém. Segundo o Correio Braziliense, a Resolução 23.755, aprovada pelo TSE em 2 de março de 2026, altera as regras da propaganda eleitoral. Em junho de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o artigo 19 do Marco Civil da Internet, a lei de 2014 que regula a internet, é parcialmente inconstitucional. Segundo o Teletime, a nova regra vale com ressalvas para a legislação eleitoral e os atos do TSE.

Vinte posts e a campanha de Lula

O pedido partiu da campanha de Lula. Ela alegou “ação estruturada de parlamentares que apoiam o candidato Flávio Bolsonaro (PL) para compartilhamento de deepfake”. Segundo a Agência Brasil, a decisão atinge postagens do próprio Flávio e dos deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO), Mario Frias (PL-SP) e Gilvan da Federal (PL-ES).

Até a publicação desta reportagem, não encontramos relato independente sobre o prazo para cumprir a ordem. Também não achamos quantas postagens saíram do ar.

Repostagens proibidas e impulsionamento

Segundo o DGABC, Cueva proibiu Nikolas e Marçal de republicar conteúdos cuja remoção a Justiça Eleitoral já ordenou em seis processos. O caso é uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), processo que apura abuso na disputa. A ação foi apresentada pela coligação de Lula, a Brasil Pronto pra Mais.

O descumprimento custa multa de R$ 50 mil, a ser paga pelo responsável pela publicação, segundo o DGABC. A reportagem não diz se a multa vale por post. Cueva também proibiu Meta e X de impulsionar, ou seja, pagar para ampliar, os conteúdos dos dois até o fim do segundo turno. A multa diária é de R$ 500 mil por plataforma. A circulação orgânica, sem promoção paga, continua permitida.

A decisão ainda depende do referendo do plenário do TSE. Os citados, entre eles Flávio e Alfredo Gaspar, têm cinco dias para apresentar defesa. Segundo o DGABC, o recebimento da ação “não significa reconhecimento das irregularidades apontadas”.

Meta, IA e o tratamento igual

Na semana passada, o TSE proibiu a Meta de restringir a entrega de postagens sobre Lula e Flávio, segundo a Agência Brasil. Pela Fast Company Brasil, o ministro Marco Aurélio Bellizze deu à empresa prazo de 24 horas para mostrar que sua IA trata os dois candidatos da mesma forma.

A campanha de Lula levou ao tribunal testes em que a ferramenta teria recusado imagens favoráveis ao petista e aceitado pedidos semelhantes sobre Flávio. A Meta respondeu na segunda-feira (19). Negou favorecimento e disse aplicar “critérios iguais” aos dois candidatos.

O que diz Flávio Bolsonaro: “Eu tenho um alerta a fazer para todo mundo: eu não vou compactuar com censura”, disse em gravação de 1º de outubro de 2026, segundo o Congresso em Foco. Não encontramos manifestação dele sobre as decisões de 19 e 21 de outubro.

O outro lado da linha

Flávio atribuiu a desistência do debate da Globo às regras do TSE para o encontro, que chamou de censura. A Corte também diverge sobre o limite. No julgamento de 30 de setembro sobre posts ligados a Nossa Senhora Aparecida, Cueva propôs limitar as remoções a conteúdos “notoriamente inverídicos”, segundo a CNN Brasil. A maioria manteve a retirada, e a posição de Cueva ficou vencida.

O que ainda não se sabe

Não há balanço consolidado do TSE sobre o total de remoções na campanha. Cada caso tem ministro, pedido e conteúdo próprios. Nas reportagens consultadas, não encontramos o artigo da resolução usado em cada despacho.

A decisão de Cueva depende do plenário, e os citados ainda vão se defender. A linha entre retirar o ilegal e proteger a crítica segue sendo traçada caso a caso.

Como fizemos: Reunimos as decisões a partir de reportagens da Agência Brasil, DGABC, Fast Company Brasil, SBT News, Congresso em Foco, CNN Brasil, Correio Braziliense e Teletime, acessadas em 23 de outubro de 2026. Não lemos os textos integrais das decisões, e a página da resolução no site do TSE não abriu para nós. Não houve contato com as partes antes da publicação, e não fizemos contagens próprias.

Fontes