Soberania e Defesa

Alertas do Inpe caem 37% na Amazônia e marcam menor nível da série

Entre agosto de 2025 e julho de 2026, alertas do Deter na Amazônia somaram 2.874 km², o menor nível desde 2016, mas subiram em setembro.

Imagem de satélite CBERS-4 em falsa cor mostrando áreas de floresta, pastagem e solo exposto por desmatamento perto de Novo Progresso, no Pará, com o Rio Jamanxim à direita
Imagem do satélite CBERS-4 com desmatamento recente em Novo Progresso (PA), na Amazônia, entre junho de 2017 e maio de 2018.Foto: Oton Barros / Coordenação-Geral de Observação da Terra / Inpe / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o Deter registrou 2.874 km² de alertas de desmatamento na Amazônia. O Deter é o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ele aponta áreas desmatadas para orientar a fiscalização. O total é o menor desde 2016, primeiro ano da série, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Setembro, porém, foi de alta. Foram 350 km² de alertas na Amazônia, contra 327 km² em setembro de 2025, segundo dados do Inpe divulgados em 9 de outubro. Pela conta com esses números, a alta é de 7%, e não de 9%, como informaram alguns veículos.

Queda no ano, alta no mês

O Deter não mede a área total desmatada no ano. Essa tarefa cabe ao Prodes, outro sistema do Inpe, que mede a taxa oficial de agosto a julho. Os alertas são um sinal de onde o Estado deve olhar.

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, os alertas na Amazônia somaram 2.392 km². Foi uma queda de 27% sobre os 3.272 km² do mesmo período de 2025. No Cerrado, a área de alertas caiu 30% em setembro, para 253 km².

Sete ciclos mostram a série mais baixa

Alertas do Deter na Amazônia caem quase 69% em sete ciclos Área sob alerta por ciclo de agosto a julho, em km²

Ciclo Área sob alerta (km²)
2019/2020 9.216
2020/2021 8.712
2021/2022 8.590
2022/2023 7.952
2023/2024 4.315
2024/2025 4.495
2025/2026 2.874

Fonte: Inpe (Deter), conforme reportagens listadas em Fontes. Valores como divulgados em cada ano. Elaboração: redação.

Em 2019/2020, a área sob alerta era de 9.216 km². No ciclo atual, é de 2.874 km², uma redução de quase 69%. O ciclo de 2023/2024 já tinha caído 45,7%, segundo o Inpe.

O MMA informa queda de 36,87% no último ciclo. Com o valor de 4.495 km² do ciclo anterior, a conta dá 36%. As fontes consultadas não explicam a diferença, por isso a tabela usa os números publicados em cada ano.

Onde cai e onde sobe

Segundo a Agência Brasil, o Pará teve 987 km² de alertas no último ciclo, queda de 25,5%. O Mato Grosso teve 834 km², queda de 49%. O Amazonas teve 434 km², queda de 46,7%.

Roraima foi o único desses seis estados em que a área cresceu, 32,5%, para 273 km². Para a soberania, a pergunta é se o Estado enxerga e age em todo o território. A queda não chega igual a todos os estados.

A taxa oficial anual, do Prodes, foi divulgada em 16 de outubro. Ela aponta 3.335 km² de desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026. É o menor valor desde 1988, início da série, e 41,8% abaixo dos 5.731 km² do ciclo anterior, segundo o Poder360.

O que dizem o Inpe e o MMA: Em nota de 7 de agosto de 2026, o MMA diz que o Deter fornece alertas diários para subsidiar a fiscalização em tempo real. O Prodes é a referência oficial para o controle do desmatamento, segundo o ministério.

O que isso significa

Os números mostram queda em sete ciclos seguidos e um mês de alta. Os dados mostram que o Estado tem hoje um sistema capaz de apontar onde agir. A queda coincide com esse trabalho, mas os números não provam sozinhos a causa.

O que está em aberto é se a fiscalização mantém o ritmo no ciclo que começou em agosto de 2026.

Como fizemos: Usamos os alertas do Deter por ciclo de agosto a julho, de 2019/2020 a 2025/2026, e os dados de setembro de 2026, divulgados pelo Inpe em 9 de outubro. Usamos também o Prodes 2026, divulgado em 16 de outubro. Não conseguimos acessar o painel TerraBrasilis do Inpe, por isso os valores vêm de reportagens e do site do MMA, consultados em 23 de outubro de 2026. As variações, como a alta de 7% em setembro, a queda de 27% no acumulado e a queda de quase 69%, são nossos cálculos. O Deter é um sistema de alertas, e os alertas não são a área total desmatada. Valores de anos anteriores podem ter sido revisados.

Fontes