Projeto exige GPS no transporte escolar e acesso das famílias
PL prevê localização em tempo real, registros por 90 dias e 180 dias para adaptação; texto ainda passará por três comissões da Câmara.

O Projeto de Lei (PL) 1.240/2026 quer tornar obrigatório o rastreamento de todos os veículos de transporte escolar. A proposta exige Sistema de Posicionamento Global (GPS) ou tecnologia equivalente. O texto está em análise na Câmara.
Os prestadores teriam de mostrar a localização em tempo real a pais, responsáveis legais e escolas. O acesso seria feito por aplicativo ou plataforma digital durante os trajetos. O projeto não prevê consulta pública aberta a qualquer pessoa.
Os registros de localização e rotas deveriam ficar guardados por pelo menos 90 dias. O prazo equivale a cerca de três meses. A medida busca ampliar a fiscalização de um serviço usado diariamente por estudantes e famílias.
Obrigação começa na licença
A instalação seria exigida para conceder e renovar a licença anual do veículo. Sem o equipamento, o prestador poderia perder a autorização para operar depois das etapas de fiscalização.
Quem já trabalha no setor teria até 180 dias após a publicação da lei para adaptar a frota. São cerca de seis meses. Esse prazo só existirá se o projeto for aprovado e sancionado.
Proposta combina rastreamento, acesso e adaptação Principais regras do PL 1.240/2026
| Item | O que o projeto prevê |
|---|---|
| Tecnologia | GPS ou sistema equivalente |
| Acesso | Pais, responsáveis e instituições de ensino |
| Armazenamento | Pelo menos 90 dias |
| Adequação da frota | Até 180 dias após a publicação |
| Licença | Equipamento exigido na concessão e renovação |
| Sanções | Advertência, multa, suspensão ou cassação |
Fonte: Câmara dos Deputados. Elaboração: redação.
O texto também prevê incentivos e financiamentos federais para modernização. Os beneficiários seriam microempreendedores individuais, motoristas autônomos e pequenas empresas. A nota da Câmara não detalha valores, fonte dos recursos ou condições dessas linhas.
Rastreamento não substitui segurança
O GPS informa onde o veículo está e qual rota percorreu. Não mostra, por si só, se os cintos são usados ou se o motorista respeita as regras de trânsito. Também não substitui manutenção, inspeção e fiscalização presencial.
Para as famílias, a mudança prática seria acompanhar o deslocamento antes da chegada. Para o poder público, os registros podem ajudar a verificar rotas e eventuais reclamações. Esses usos dependerão da regulamentação e da qualidade da conexão.
A proposta não apresenta, na nota divulgada, regras detalhadas de proteção dos dados. Esse ponto será importante porque o histórico revela deslocamentos ligados à rotina escolar. O acesso limitado a famílias e escolas reduz a exposição, mas não elimina a necessidade de segurança digital.
O que diz o autor: O deputado Marcos Tavares (PDT-RJ) afirma que a tecnologia fortalece a fiscalização e que a proposta “alinha a regulamentação brasileira às melhores práticas internacionais”, segundo a Agência Câmara.
Tramitação ainda está nas comissões
A proposta será examinada pelas comissões de Educação, Viação e Transportes e Constituição e Justiça. A análise será conclusiva, ou seja, pode terminar nesses colegiados sem passar pelo Plenário da Câmara.
Depois da Câmara, o texto ainda precisará do Senado para virar lei. Por enquanto, nenhum veículo passa a ser obrigado a instalar o sistema por causa deste projeto. Famílias e operadores devem acompanhar as versões aprovadas e a futura regulamentação.
Como fizemos: Consultamos a nota da Agência Câmara publicada em 27/10/2026 e o texto do PL 1.240/2026. Organizamos as regras por tecnologia, prazo, acesso e sanções. As equivalências de 90 dias a três meses e 180 dias a seis meses são aproximações. Não estimamos custos porque o projeto não apresenta valores.



