Economia

Inflação de setembro chega a 0,94% na renda muito baixa

Ipea mede 0,72% na renda alta; energia e alimentos pesam mais para os pobres no mês, mas a comparação em 12 meses se inverte.

Cartazes de oferta com preços de fubá e flocão em supermercado do Recife
Cartazes de preços de fubá e flocão em supermercado do Recife, fotografados em 24 de dezembro de 2016.Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

As famílias de renda muito baixa tiveram inflação de 0,94% em setembro, a maior entre as faixas analisadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Para a renda alta, a variação foi de 0,72%, a menor do mês.

A diferença foi de 0,22 ponto percentual. Em termos relativos, o índice da renda muito baixa ficou 30,6% acima do índice da renda alta. Isso não significa que toda a cesta custe 30,6% mais. Compara apenas as taxas de variação de setembro.

O Ipea atribui o resultado ao fim do efeito do Bônus de Itaipu na energia e à alta dos alimentos em casa. Esses itens têm peso maior no orçamento das famílias mais pobres.

Três períodos, três comparações

O resultado mensal não conta toda a história. No acumulado de janeiro a setembro, a renda baixa registrou a maior inflação, de 4,18%. A menor foi da renda média-alta, com 3,73%. A diferença chega a 0,45 ponto percentual.

Nos 12 meses terminados em setembro, a ordem se inverte. A renda muito baixa teve a menor taxa, de 4,22%. A renda alta apresentou a maior, de 5,03%, diferença de 0,81 ponto percentual.

Renda alta lidera apenas a inflação em 12 meses Maior e menor taxa em cada período terminado em setembro de 2026

Período Maior taxa Menor taxa Diferença
Setembro Muito baixa: 0,94% Alta: 0,72% 0,22 p.p.
Acumulado no ano Baixa: 4,18% Média-alta: 3,73% 0,45 p.p.
Acumulado em 12 meses Alta: 5,03% Muito baixa: 4,22% 0,81 p.p.

Fonte: Ipea. Diferenças e variação relativa de setembro: cálculos da redação.

As faixas extremas também mudam entre os períodos. Por isso, não se deve usar apenas um recorte para afirmar que a inflação sempre pesa mais sobre o mesmo grupo.

Energia e comida explicam o mês

A energia elétrica subiu 8% em setembro, com a reversão do desconto concedido em agosto pelo Bônus de Itaipu. O efeito atingiu com mais força as famílias de menor renda, segundo o relatório.

Os alimentos consumidos em casa avançaram 0,96%. Tubérculos subiram 18,9%, cereais 2,5% e carnes 0,63%. Houve alívio em aves e ovos, com queda de 1,7%, café moído, com recuo de 1,1%, e hortaliças, com baixa de 0,27%.

Na renda alta, passagens aéreas e gasolina tiveram influência maior. As passagens subiram 9,7% no mês. O peso diferente desses produtos explica por que um mesmo índice nacional produz experiências distintas de inflação.

O que diz o Ipea: O relatório afirma que o fim do efeito do Bônus de Itaipu e a alta dos alimentos no domicílio explicam o resultado mais desfavorável da renda muito baixa. Para a renda alta, destaca passagens aéreas e gasolina.

O que observar nos próximos dados

O acumulado no ano mostra pressão dos alimentos sobre a renda baixa. Nesse grupo, os alimentos em casa subiram 4,4% nos nove primeiros meses de 2026. A comparação reforça a importância da cesta básica para o poder de compra.

O dado de outubro mostrará se a diferença mensal persistirá após o efeito da energia. A análise correta precisa separar choques temporários, peso dos produtos e tendências de prazo maior.

Como fizemos: Consultamos a Nota de Conjuntura 26 do Ipea, publicada em 28/10/2026. Subtraímos as taxas para obter diferenças em pontos percentuais. Dividimos 0,94 por 0,72 para calcular a diferença relativa de 30,6%. A comparação usa faixas distintas em cada período e não mede variação da renda familiar.

Fontes