PF e Ibama inutilizam 72 bens de garimpo no Rio Madeira
Operação Nêmesis atingiu 17 dragas e outros equipamentos em Rondônia; celulares apreendidos podem ajudar a identificar financiadores.

A Polícia Federal (PF) e o Ibama inutilizaram 72 embarcações e equipamentos usados no garimpo ilegal do Rio Madeira. A Operação Nêmesis ocorreu na terça-feira (27), entre os distritos de Calama e São Carlos, em Rondônia.
O balanço inclui 17 dragas, 21 motores e 29 bombas. Motores e bombas somam 50 itens, ou 69,4% do total. O número mostra que a ação não atingiu apenas barcos, mas também peças essenciais para manter a extração funcionando.
As equipes também inutilizaram 16 mil litros de óleo diesel. Foram apreendidos três frascos de mercúrio e oito celulares, segundo a PF. O objetivo declarado é combater a retirada ilegal de ouro do leito do rio.
O que foi atingido
Dragas são estruturas que sugam material do leito para separar o ouro. Rebocadores e voadeiras dão apoio ao transporte. Motores e bombas mantêm o sistema de extração e beneficiamento em operação.
Motores e bombas representam 69,4% dos bens Equipamentos inutilizados na Operação Nêmesis, em 27 de outubro de 2026
| Item | Quantidade | |—|—:|—:| | Bombas de draga | 25 | | Motores | 21 | | Dragas | 17 | | Bombas de água | 4 | | Voadeiras | 3 | | Rebocadores | 2 | | Total | 72 |
Fonte: Polícia Federal. Participação de motores e bombas: cálculo da redação.
A lista detalhada permite distinguir o alcance material da operação. As 17 dragas representam 23,6% dos 72 bens. Já as cinco embarcações de apoio, entre rebocadores e voadeiras, correspondem a 6,9%.
Essas proporções não medem o dano ambiental evitado. A PF não informou quanto ouro era extraído, há quanto tempo os equipamentos operavam nem qual área foi afetada.
O total de bens também não equivale ao número de pontos abordados. Várias peças podiam pertencer à mesma estrutura de extração, e a nota não detalha essa distribuição.
Mercúrio e rastreio financeiro
O mercúrio é usado no garimpo para formar uma liga com o ouro. A PF classificou a substância como tóxica e apreendeu três frascos. A nota oficial não informou volume, origem ou destino pretendido.
Os oito celulares passarão por análise. Segundo a PF, o material pode ajudar a identificar proprietários das dragas e financiadores da atividade. Essa etapa é importante porque a destruição de máquinas, sozinha, não revela quem bancava a operação.
As investigações continuam. Os responsáveis poderão responder por usurpação de bem da União, extração de recursos minerais sem autorização e uso de substância tóxica. Essa previsão não significa que alguém já tenha sido denunciado ou condenado.
O que diz a Polícia Federal: A corporação informou que as investigações prosseguem para identificar proprietários das embarcações e financiadores do garimpo. Os celulares apreendidos serão analisados, conforme nota oficial atualizada em 28 de outubro.
Soberania exige continuidade
O Rio Madeira banha comunidades e territórios cuja proteção depende de fiscalização pública. A ação integra a defesa do patrimônio mineral e do ambiente, mas o balanço ainda não apresenta prisões nem identifica mandantes.
O próximo ponto é saber o que a análise dos aparelhos revelará. Também será necessário acompanhar eventuais indiciamentos, denúncias e processos. São etapas diferentes da apreensão de equipamentos e exigem provas próprias.
Como fizemos: Consultamos a nota da PF publicada em 27/10/2026 e atualizada no dia seguinte. Somamos 21 motores, 25 bombas de draga e quatro bombas de água para chegar a 50 itens. Dividimos esse total e as demais categorias por 72. Os dados oficiais não informam produção de ouro, extensão ambiental nem autoria comprovada.



