Agro e Regiões

Pronaf terá R$ 85,2 bilhões em 2026/27 e juros menores para alimentos

O Plano Safra da Agricultura Familiar prevê R$ 85,2 bilhões ao Pronaf, com juros de 2% ao ano para custeio de alimentos e 0,5% no microcrédito.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa atrás de um pódio de madeira, com bandeiras do Brasil e um painel com agricultores ao fundo
Lula discursa na cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar, no Palácio do Planalto, em Brasília, em 30 de junho de 2026.Foto: Ricardo Stuckert / PR / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Pronaf, o crédito rural da agricultura familiar, terá R$ 85,2 bilhões na safra 2026/27. O valor foi anunciado em 30 de junho, no Palácio do Planalto, e vale de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2027. Para quem produz comida no interior, o dado mais importante é a taxa: o custeio de alimentos caiu de 3% para 2% ao ano.

O Pronaf é o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. Ele financia o custeio, que paga sementes, insumos e a lavoura. Também financia o investimento, que compra máquinas, equipamentos e animais. As taxas e as regras são definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que aprovou as mudanças para esta safra, segundo a CNN Brasil.

Quanto sobe e quanto custa

O volume sobe cerca de 9% em relação à safra 2025/26, quando o Pronaf tinha R$ 78,2 bilhões. Nossa conta dá R$ 7 bilhões a mais, em valores nominais. A inflação dos últimos 12 meses até setembro ficou em cerca de 4,6%, segundo o IBGE. Por isso, o ganho real é menor que os 9% anunciados.

Sete das oito linhas da tabela tiveram queda de juros. Só o microcrédito, a 0,5%, ficou igual. Os tratores e as colheitadeiras seguem a 5%. A taxa para agroecologia e produtos orgânicos caiu pela metade, de 2% para 1%.

Juros do Pronaf caem em sete das oito linhas comparadas Taxa de juros ao ano, em %, safras 2025/26 e 2026/27

Linha 2025/26 2026/27
Custeio, alimentos básicos 3 2
Custeio, agroecologia e orgânicos 2 1
Custeio, soja e pecuária de corte 8 7,5
Custeio, demais produtos 6,5 5,5
Mais Alimentos, faixa 1 (cultivo protegido, ordenhadeiras) 3 2
Mais Alimentos, faixa 2 8 7,5
Máquinas de pequeno porte 2,5 1,5
Microcrédito, Grupo B 0,5 0,5

Fonte: Portal do Cooperativismo Financeiro e O Povo, que cita o Banco do Nordeste. A tabela oficial do MDA não pôde ser lida. Elaboração: redação.

Quem pode e como pedir

Para pegar o crédito, o agricultor precisa de identificação oficial. O MDA cita a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) ou o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF), conforme o caso. Também exige o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regular, comprovante de posse da terra e um projeto técnico ou proposta simplificada, conforme a linha.

Na linha de microcrédito, chamada Pronaf B ou Grupo B, o teto por família subiu de R$ 53 mil para R$ 74 mil. A renda anual para entrar passou de R$ 50 mil para R$ 60 mil. O prazo de pagamento é de três anos.

O primeiro passo é obter a DAP ou o CAF em uma entidade credenciada. O gov.br cita entidades de assistência técnica credenciadas pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater). Também emitem a declaração sindicatos de trabalhadores rurais, associações, colônias de pesca e, para assentados, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). No Pará, a Emater também faz esse credenciamento, segundo a própria Emater-PA. O serviço é gratuito e pode levar até 20 dias úteis.

O que falta: a divisão regional

O governo não divulgou, nas notas consultadas, quanto do Pronaf vai para cada região. Não achamos número oficial para o Nordeste ou para o Sul. Sem esse dado, não dá para saber se o interior de cada região recebe mais ou menos crédito que na safra anterior.

O que diz o MDA: “Para a safra 2026/2027, estão previstos R$ 85,2 bilhões para operações do Pronaf”, diz a nota do ministério publicada em 9 de julho de 2026. Não houve contato direto com o ministério para esta matéria, que se baseia em documentos públicos.

O que isso significa

O Pronaf cresce 9% em valor e fica mais barato para quem produz alimento. O ganho real é menor, e a conta exata depende de um índice de inflação que ainda precisa ser conferido. A distribuição por região não aparece em documento oficial encontrado.

O plano vai até 30 de junho de 2027. Antes de contratar, o produtor deve conferir a tabela oficial do MDA, porque as taxas desta reportagem vieram de outras fontes.

Como fizemos: Usamos a nota do MDA sobre o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, publicada em 9 de julho de 2026, e a página do gov.br sobre a DAP, ambas acessadas em 27 de outubro de 2026. As taxas por linha vêm de reportagens do Portal do Cooperativismo Financeiro e do O Povo, porque a tabela oficial em PDF do MDA não pôde ser lida. A variação de 9% é nossa conta: R$ 85,2 bilhões divididos por R$ 78,2 bilhões. A CNN Brasil cita 6% no lugar de 6,5% na linha de demais produtos, e não confirmamos esse ponto no documento oficial. A inflação de 12 meses até setembro de 2026 é do IBGE, como reproduzido pela imprensa; a correção exata exige o índice acumulado desde junho de 2025, que não conferimos. Os dados não mostram a divisão por região nem o uso efetivo do crédito.

Fontes