Política

Lula negocia ajuste do Orçamento e avalia Pacheco para o STF

Aliados querem votar prioridades antes da nova legislatura; proposta fiscal ainda não tem valores e escolha para o Supremo não foi oficializada.

Rodrigo Pacheco aparece de perfil e em contraluz durante entrevista coletiva no Senado
Rodrigo Pacheco durante entrevista coletiva no Senado, em Brasília, em 23 de março de 2023.Foto: Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendem votar prioridades antes que a nova legislatura comece em 2027. A negociação inclui o Orçamento e a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo reportagem do g1 publicada na terça-feira (27).

Parlamentares da base afirmam que serão necessárias medidas de ajuste ou mudanças no arcabouço fiscal. Essa regra limita o crescimento das despesas e exige metas para as contas públicas. Ainda não há proposta fechada, valores definidos ou texto apresentado.

O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco aparece como alternativa para o STF. Atualmente, ele é ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). O presidente não oficializou a escolha, e qualquer indicado precisará ser aprovado pelo Senado.

O que entra na negociação

A agenda governista reúne três frentes. A primeira é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A segunda é a indicação para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A terceira é um Orçamento que comporte as promessas do próximo mandato.

O Centrão tem prioridades próprias. Dirigentes do bloco discutem regras eleitorais, maioridade penal e uma possível reforma do Judiciário. Não existe consenso sobre todos esses pontos nem garantia de votação neste ano.

Governo e Centrão negociam agendas diferentes Temas relatados pelo g1 em 27 de outubro de 2026

Grupo Temas em discussão Situação
Governistas Segurança, STF e Orçamento Sem pacote único apresentado
Centrão Sistema eleitoral e maioridade penal Propostas em tramitação separada
Parlamentares Reforma do Judiciário Conteúdo e calendário indefinidos

Fonte: g1. Elaboração: redação.

A articulação ocorre porque a direita terá mais força na próxima legislatura. Governistas avaliam que a composição atual facilita parte das votações. Isso é uma avaliação política dos parlamentares, não uma previsão de resultado.

Os 41 votos para o Supremo

A indicação ao STF é uma prerrogativa do presidente. O Senado realiza uma sabatina, audiência pública para questionar o escolhido. Depois, precisa de ao menos 41 votos favoráveis para aprová-lo.

O quórum equivale a 50,6% dos 81 senadores. Pacheco é citado como alguém com trânsito na Casa e proximidade com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Esses fatores políticos não substituem a sabatina nem antecipam os votos.

A escolha anterior, o advogado-geral da União Jorge Messias, foi rejeitada pelo Senado. Por isso, a nova negociação tenta evitar outra derrota. Até o momento, porém, Pacheco é um nome ventilado, não um indicado formal.

O que dizem governistas: Um líder da base afirmou ao g1 que Lula “tem que cumprir promessas agora”. A avaliação é aproveitar a atual composição do Congresso para votar medidas consideradas mais difíceis na próxima legislatura.

Orçamento ainda é uma incógnita

A discussão fiscal busca acomodar compromissos de campanha no Orçamento de 2027. A reportagem não apresenta estimativa do custo dessas promessas nem define receitas e cortes. Sem esses dados, não é possível medir o ajuste necessário.

Em 2022, a PEC da Transição ampliou o teto de gastos em R$ 145 bilhões para financiar políticas públicas. Em 2023, o arcabouço substituiu aquela regra. O precedente explica a negociação atual, mas não comprova que haverá nova PEC.

Os próximos fatos a verificar são o envio de uma proposta fiscal e a comunicação oficial do nome para o STF. Até lá, a notícia registra uma articulação política. Não descreve medidas já aprovadas ou uma indicação concluída.

Como fizemos: Consultamos a reportagem do g1 de 27/10/2026 e a análise publicada pelo Brasil 247 no dia seguinte. Separamos propostas existentes de intenções ainda sem texto. Dividimos 41 por 81 para obter 50,6%. Não calculamos impacto fiscal porque as negociações não apresentam valores nem medidas fechadas.

Fontes