Economia

Focus corta IPCA de 2026 para 5,19%, mas foi colhido antes da eleição

O mercado baixou a inflação e o PIB de 2026, mas as respostas do Focus foram enviadas até 23 de outubro, antes do segundo turno.

Torre da sede do Banco Central do Brasil em Brasília, com fachadas de vidro escuro e pilares de concreto, vista de cima e de longe
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, instituição que publica o Boletim Focus.Foto: Banco Central do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na segunda-feira (26), o Banco Central (BC) divulgou o Boletim Focus, com as projeções do mercado para inflação, juros, crescimento e câmbio. As respostas, porém, foram enviadas até sexta-feira (23). O segundo turno foi no domingo (25), e o boletim não incorpora a reação a ele, segundo o Gazeta Mercantil.

O Focus reúne as estimativas de instituições financeiras e consultorias. O número que o BC destaca é a mediana, o valor do meio entre todas as respostas. Assim, uma previsão muito alta ou muito baixa pesa pouco no resultado.

Inflação ainda acima do teto

O IPCA, índice oficial de inflação, deve fechar 2026 em 5,19%. Na semana anterior, a projeção era de 5,22%. Para 2027, subiu de 4,32% para 4,34%.

A meta de inflação é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, segundo a Forbes. O teto, portanto, é de 4,5%. Pelo Focus, a inflação de 2026 fica 0,69 ponto percentual acima dele.

Juros, PIB e dólar

A Selic, taxa básica de juros do país, segue projetada em 13,25% ao fim de 2026. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a Selic de 14% para 13,75% em 16 de setembro, por unanimidade, segundo o Atlas Público. Chegar a 13,25% exige dois cortes de 0,25 ponto, em novembro e dezembro, segundo a Forbes. Para o fim de 2027, a projeção caiu de 12% para 11,75%.

O PIB, soma de tudo o que o país produz, deve crescer 1,80% em 2026, ante 1,83% na semana anterior. Para 2027, a estimativa passou de 1,32% para 1,31%.

O câmbio, ou seja, o preço do dólar em reais, deve fechar 2026 a R$ 5,05. Na semana anterior, a projeção era de R$ 5,13. Para 2027, caiu de R$ 5,22 para R$ 5,15.

O dólar já passou da conta

Na segunda-feira, o dólar comercial fechou a R$ 5,403, em alta de 8,25%, segundo o BPMoney. A projeção de fim de ano ficou cerca de 7% abaixo desse patamar. A diferença vem do calendário: a pesquisa foi fechada antes da reação do mercado.

Após o resultado, ativos brasileiros negociados no exterior registravam fortes perdas, informou a Forbes.

O que diz o Banco Central: O BC publica o Focus com as respostas de instituições do mercado, e não com projeção própria. Não localizamos manifestação pública do BC sobre o boletim de 26 de outubro até a publicação deste texto.

O que vem agora

A próxima edição do Focus deve sair na segunda-feira (2 de novembro), pela rotina semanal do boletim. Será a primeira a registrar as respostas depois do segundo turno. O Copom decide a Selic nos dias 3 e 4 de novembro.

O boletim de 2 de novembro vai mostrar se essas contas mudam. Até lá, a projeção de câmbio publicada na segunda-feira já está distante do dólar do próprio dia.

Como fizemos: Usamos as medianas do Focus publicadas pelo BC, com respostas até 23 de outubro e até 16 de outubro de 2026, acessadas em 27 de outubro de 2026, na série ExpectativasMercadoAnuais. A diferença de cerca de 7% é a conta de R$ 5,403 contra R$ 5,05, e os 0,69 ponto percentual são a conta de 5,19% contra o teto de 4,5%. O fechamento do dólar em 26 de outubro vem do BPMoney, não de dado oficial. O boletim mostra expectativas de mercado, não resultados.

Fontes