Em 2002, dólar e risco-país atingiram o pico antes da votação
O dólar chegou a R$ 3,96 em 22 de outubro de 2002, antes do segundo turno. Nos anos seguintes, a Bolsa subiu por cinco anos seguidos: veja os números.

Em 22 de outubro de 2002, a cotação de compra do dólar chegou a R$ 3,9552. Foi o maior valor do ano, segundo o Banco Central (BC). O segundo turno da eleição seria cinco dias depois, em 27 de outubro, entre Lula e José Serra (PSDB).
Outro indicador também estava no pico. O risco-país mede quanto o Brasil paga a mais que os Estados Unidos para tomar dinheiro emprestado. Em setembro de 2002, ele chegou a 2.436 pontos, segundo o Diário do Poder, que cita a série do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Outra reportagem, da Tribuna PR, fala em 2.443 pontos no mesmo mês.
Antes da votação, a Bolsa caiu pouco
Em 22 de junho de 2002, Lula divulgou a Carta ao Povo Brasileiro. O texto dizia que a “premissa dessa transição será naturalmente o respeito aos contratos e obrigações do país”. Para o jornalista Felippe Hermes, em coluna de opinião no InfoMoney, a carta defendia a segurança jurídica e o tripé macroeconômico.
O Ibovespa, principal índice de ações da B3, fechou em 10.015 pontos na sexta-feira, 25 de outubro, segundo o Yahoo Finance. Na segunda-feira, 28 de outubro, primeiro pregão após a votação, caiu 4,4%, para 9.574 pontos. O levantamento do Elos Ayta, citado pelo NeoFeed, registra a mesma queda.
Depois disso, a Bolsa subiu. Até 31 de dezembro, o índice ganhou 12,52% e o dólar caiu 7,06%, segundo a InfoMoney.
Depois da eleição: o rali de 2003 a 2007
A tabela mostra o último pregão de cada ano. Os valores são nominais, sem correção pela inflação.
O Ibovespa subiu e o dólar caiu de 2003 a 2007 Fechamento de cada ano; Ibovespa em pontos e dólar em R$ (cotação de compra)
| Fim de ano | Ibovespa (pontos) | Dólar (R$) |
|---|---|---|
| 2002 | 11.268 | 3,5333 |
| 2003 | 22.236 | 2,8892 |
| 2004 | 26.196 | 2,6544 |
| 2005 | 33.456 | 2,3407 |
| 2006 | 44.474 | 2,1380 |
| 2007 | 63.886 | 1,7713 |
Fonte: Yahoo Finance (Ibovespa, valores aproximados); Banco Central, série 1 (dólar). Elaboração: redação.
Entre o fim de 2002 e o fim de 2007, o Ibovespa subiu cerca de 467%. O dólar caiu cerca de 49,9%.
Analistas apontam causas diferentes. Um estudo de Sabrina Bredow, Marcos Lélis e André Cunha, publicado na revista Economia e Sociedade em 2016, trata da alta dos preços das commodities. Os produtos básicos exportados pelo país subiram nesse período. Segundo o estudo, essa alta influenciou a entrada de capital estrangeiro entre 2002 e 2014.
Hermes também escreveu: “Palocci escolheu um liberal como braço direito.” Palocci comandaria a equipe econômica do novo governo.
Esses fatores acompanham o período, mas nenhum estudo citado prova que um deles explique sozinho o rali.
O que isso significa
Hoje, 26 de outubro de 2026, o cenário é outro. Segundo a Reuters, às 12h05 o Ibovespa caía 15,61%, a 173.064,64 pontos. A B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações. Às 10h51, o dólar chegou a R$ 5,51, alta de 10,44% sobre a sexta-feira, segundo o Metrópoles. Os números são do meio do pregão e podem mudar.
O que diz a B3: pelas regras do circuit breaker, publicadas no Bora Investir, o canal da própria bolsa, as negociações param por 30 minutos quando o Ibovespa cai 10%. Se a queda chegar a 15% após a reabertura, param por 1 hora.
Em 2002, o pico do dólar e do risco-país veio antes do voto. A Bolsa caiu 4,4% no primeiro pregão e subiu nos anos seguintes. Isso não garante nada para hoje. Ativos podem perder valor, e pânicos podem se aprofundar antes de acalmar. Esta reportagem não é recomendação de investimento.
Como fizemos: Usamos a série 1 do Banco Central (dólar, cotação de compra), acessada em 26/10/2026, e o fechamento diário do Ibovespa no Yahoo Finance, valores aproximados que devem ser conferidos na série oficial da B3. As variações de 2002 (−4,4% no primeiro pregão e 12,52% até o fim do ano) e as de 2002 a 2007 (467% e −49,9%) são nossos cálculos, sem correção pela inflação. O −4,4% coincide com o levantamento do Elos Ayta. O risco-país de 2002 vem de reportagens que citam a série do Ipea, sem dado diário próprio. Os números de 26/10/2026 são do intradia, de reportagens das 10h51 e 12h05, e podem mudar.
Fontes
- Banco Central do Brasil, série 1 (dólar, compra), 2002 (acesso em 26/10/2026)
- Banco Central do Brasil, série 1 (dólar, compra), 2003 a 2007 (acesso em 26/10/2026)
- Yahoo Finance, Ibovespa (^BVSP) (acesso em 26/10/2026)
- Eleição presidencial no Brasil em 2002 — Wikipédia
- Carta ao povo brasileiro (22 de junho de 2002) — Wikisource
- O que aconteceu com a Bolsa e o dólar após o segundo turno, nas últimas eleições? — InfoMoney
- Bolsa despenca com vitória de Lula, mas passado mostra que ressaca eleitoral pode ser curta — NeoFeed
- Risco Brasil cai a níveis pré-reeleição de Dilma — Diário do Poder
- Risco-País desaba e fluxo derruba dólar para R$ 2,71 — Tribuna PR
- Felippe Hermes: coluna de opinião — InfoMoney (publicada em 14/03/2021)
- O ciclo de alta nos preços das commodities e a economia brasileira (2002–2014) — Economia e Sociedade
- Risco-país (EMBI+ Brasil): definição e dados históricos — HC Investimentos
- Circuit break — glossário Bora Investir (B3)
- Ibovespa desaba em pregão com circuit breaker após reeleição de Lula — Reuters, via Investing.com Brasil (publicada às 11h04, atualizada às 12h28 de 26/10/2026)
- Reeleição de Lula: Bolsa retoma negociações após circuit breaker — Metrópoles (acesso em 26/10/2026)


