Economia

Em 2002, dólar e risco-país atingiram o pico antes da votação

O dólar chegou a R$ 3,96 em 22 de outubro de 2002, antes do segundo turno. Nos anos seguintes, a Bolsa subiu por cinco anos seguidos: veja os números.

Operadores de costas diante de telas de cotações no pregão da Bolsa de São Paulo, com painéis vermelhos e verdes com ativos
Pregão da Bolsa de São Paulo (Bovespa), com painéis de cotações ao fundo e operadores sentados de costas para a câmera.Foto: Rafael Matsunaga / Flickr / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 22 de outubro de 2002, a cotação de compra do dólar chegou a R$ 3,9552. Foi o maior valor do ano, segundo o Banco Central (BC). O segundo turno da eleição seria cinco dias depois, em 27 de outubro, entre Lula e José Serra (PSDB).

Outro indicador também estava no pico. O risco-país mede quanto o Brasil paga a mais que os Estados Unidos para tomar dinheiro emprestado. Em setembro de 2002, ele chegou a 2.436 pontos, segundo o Diário do Poder, que cita a série do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Outra reportagem, da Tribuna PR, fala em 2.443 pontos no mesmo mês.

Antes da votação, a Bolsa caiu pouco

Em 22 de junho de 2002, Lula divulgou a Carta ao Povo Brasileiro. O texto dizia que a “premissa dessa transição será naturalmente o respeito aos contratos e obrigações do país”. Para o jornalista Felippe Hermes, em coluna de opinião no InfoMoney, a carta defendia a segurança jurídica e o tripé macroeconômico.

O Ibovespa, principal índice de ações da B3, fechou em 10.015 pontos na sexta-feira, 25 de outubro, segundo o Yahoo Finance. Na segunda-feira, 28 de outubro, primeiro pregão após a votação, caiu 4,4%, para 9.574 pontos. O levantamento do Elos Ayta, citado pelo NeoFeed, registra a mesma queda.

Depois disso, a Bolsa subiu. Até 31 de dezembro, o índice ganhou 12,52% e o dólar caiu 7,06%, segundo a InfoMoney.

Depois da eleição: o rali de 2003 a 2007

A tabela mostra o último pregão de cada ano. Os valores são nominais, sem correção pela inflação.

O Ibovespa subiu e o dólar caiu de 2003 a 2007 Fechamento de cada ano; Ibovespa em pontos e dólar em R$ (cotação de compra)

Fim de ano Ibovespa (pontos) Dólar (R$)
2002 11.268 3,5333
2003 22.236 2,8892
2004 26.196 2,6544
2005 33.456 2,3407
2006 44.474 2,1380
2007 63.886 1,7713

Fonte: Yahoo Finance (Ibovespa, valores aproximados); Banco Central, série 1 (dólar). Elaboração: redação.

Entre o fim de 2002 e o fim de 2007, o Ibovespa subiu cerca de 467%. O dólar caiu cerca de 49,9%.

Analistas apontam causas diferentes. Um estudo de Sabrina Bredow, Marcos Lélis e André Cunha, publicado na revista Economia e Sociedade em 2016, trata da alta dos preços das commodities. Os produtos básicos exportados pelo país subiram nesse período. Segundo o estudo, essa alta influenciou a entrada de capital estrangeiro entre 2002 e 2014.

Hermes também escreveu: “Palocci escolheu um liberal como braço direito.” Palocci comandaria a equipe econômica do novo governo.

Esses fatores acompanham o período, mas nenhum estudo citado prova que um deles explique sozinho o rali.

O que isso significa

Hoje, 26 de outubro de 2026, o cenário é outro. Segundo a Reuters, às 12h05 o Ibovespa caía 15,61%, a 173.064,64 pontos. A B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações. Às 10h51, o dólar chegou a R$ 5,51, alta de 10,44% sobre a sexta-feira, segundo o Metrópoles. Os números são do meio do pregão e podem mudar.

O que diz a B3: pelas regras do circuit breaker, publicadas no Bora Investir, o canal da própria bolsa, as negociações param por 30 minutos quando o Ibovespa cai 10%. Se a queda chegar a 15% após a reabertura, param por 1 hora.

Em 2002, o pico do dólar e do risco-país veio antes do voto. A Bolsa caiu 4,4% no primeiro pregão e subiu nos anos seguintes. Isso não garante nada para hoje. Ativos podem perder valor, e pânicos podem se aprofundar antes de acalmar. Esta reportagem não é recomendação de investimento.

Como fizemos: Usamos a série 1 do Banco Central (dólar, cotação de compra), acessada em 26/10/2026, e o fechamento diário do Ibovespa no Yahoo Finance, valores aproximados que devem ser conferidos na série oficial da B3. As variações de 2002 (−4,4% no primeiro pregão e 12,52% até o fim do ano) e as de 2002 a 2007 (467% e −49,9%) são nossos cálculos, sem correção pela inflação. O −4,4% coincide com o levantamento do Elos Ayta. O risco-país de 2002 vem de reportagens que citam a série do Ipea, sem dado diário próprio. Os números de 26/10/2026 são do intradia, de reportagens das 10h51 e 12h05, e podem mudar.

Fontes