Economia

Ibovespa fecha em queda, e dólar recua após choque eleitoral

O Ibovespa perde 0,51%, e o dólar cai 1,07%, a R$ 5,3488; recuo da moeda devolve cerca de 14% da forte alta registrada na véspera.

Três portas em arco com grades e a marca Bovespa na fachada da bolsa, no centro de São Paulo
Fachada da antiga Bovespa no centro de São Paulo; a bolsa opera atualmente sob o nome B3.Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Ibovespa fechou esta terça-feira (27) em queda de 0,51%, aos 175.710,05 pontos. O índice reúne as ações mais negociadas da B3, a bolsa brasileira. Pela manhã, chegou a subir 1%, mas perdeu força durante o pregão.

O dólar e os juros futuros seguiram outra direção e recuaram. A moeda caiu 1,07%, a R$ 5,3488, segundo a CNN Brasil. O movimento corrigiu parte da disparada de segunda-feira (26), após a reeleição de Lula.

A sessão mostra duas velocidades. A moeda devolveu cerca de 14% da alta da véspera. A Bolsa não recuperou perdas e caiu mais 898,18 pontos.

O fechamento em números

Os juros futuros também cederam. Eles indicam as taxas negociadas para os próximos anos e influenciam o custo de empréstimos e financiamentos.

Dólar e juros recuam, mas Bolsa fecha em nova baixa Indicadores de 26 e 27 de outubro de 2026

Indicador Segunda (26) Terça (27) Variação diária
Ibovespa 176.608,23 pontos 175.710,05 pontos -0,51%
Dólar R$ 5,4066 R$ 5,3488 -1,07%
DI para janeiro de 2028 14,822% 14,410% -41 pontos-base
DI para janeiro de 2031 15,277% 14,935% -34 pontos-base

Fonte: CNN Brasil, com informações da Reuters.

DI significa Depósito Interfinanceiro, empréstimo de curto prazo entre instituições financeiras. Um ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual. Assim, a taxa para janeiro de 2028 caiu 0,412 ponto percentual.

Quanto do choque foi revertido

Na segunda, o dólar subiu 8,36%, segundo a mesma fonte. Com base nesse percentual, a cotação anterior implícita era de aproximadamente R$ 4,9895. A alta foi de cerca de R$ 0,4171.

A queda desta terça foi de R$ 0,0578. Esse valor corresponde a 13,9% do aumento anterior. Mesmo após o recuo, a moeda permanece cerca de 7,2% acima do patamar anterior à sessão de segunda, pelos cálculos da redação.

Na Bolsa, não houve reversão. O Ibovespa havia caído 13,88% na segunda e recuou mais 0,51% nesta terça. Considerando as variações diárias arredondadas, o índice está cerca de 14,3% abaixo do nível anterior ao choque.

Essas contas usam os percentuais divulgados, que têm arredondamento. Por isso, os valores anteriores são aproximações, e não substituem a série oficial de fechamento.

Política fiscal segue no centro da atenção

A CNN atribui a sessão a uma acomodação das posições após a forte reação ao resultado eleitoral. Investidores reavaliam a política fiscal e a composição da equipe econômica do próximo mandato.

Nesta terça, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo prepara um projeto de lei complementar para buscar o centro da meta fiscal. O texto pode ampliar o bloqueio de despesas, segundo o SBT News. A proposta ainda será discutida com o Planejamento e o Congresso.

Não é possível atribuir cada oscilação a uma única notícia. O fechamento reúne ajustes técnicos, avaliação fiscal e cenário externo. Os preços de mercado também não medem, sozinhos, emprego, renda ou atividade produtiva.

O que diz a B3: Em comunicado sobre o circuit breaker de segunda, a bolsa descreveu o mecanismo como “um procedimento operacional” para momentos de forte queda. A interrupção temporária usa a variação do Ibovespa como referência e não constitui avaliação da economia.

O que vem a seguir

Os próximos pregões continuarão sensíveis à equipe econômica e às medidas fiscais. No exterior, mercados acompanham as decisões dos bancos centrais dos Estados Unidos, da zona do euro e do Japão nesta semana.

Ativos podem perder valor, e correções não eliminam a possibilidade de novas quedas. Este texto explica o fechamento e não é recomendação de investimento.

Como fizemos: Usamos os fechamentos e as variações publicados pela CNN Brasil, com informações da Reuters, acessados em 27/10/2026. Revertemos a alta de 8,36% para estimar o dólar anterior, calculamos a retração de 13,9% e comparamos os níveis atuais com os anteriores ao choque. As variações de 7,2% e 14,3% usam percentuais diários arredondados; os juros vêm dos ajustes informados pela fonte.

Fontes