Economia

Reeleição de Lula leva dólar futuro a subir cerca de 10%

No domingo (25), o dólar futuro subiu cerca de 10%, e um fundo ligado ao Ibovespa caiu em Tóquio. A B3 abre na segunda (26).

Ilustração abstrata em verde e amarelo, nas cores da marca Auriverde, sem pessoas nem prédios
Imagem provisória, até a foto licenciada da Bolsa de Valores de São Paulo ser incluída.Ilustração: Imagem provisória

Na noite de domingo (25), logo após a apuração do segundo turno, o mercado reagiu. Na Bolsa de Chicago (CME), o contrato de dólar futuro para novembro chegou a R$ 5,56, contra R$ 5,01 no fechamento anterior, segundo a Bloomberg Línea. Outras reportagens falam em alta de cerca de 10%.

Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo a InfoMoney. Votos válidos são os votos dados a candidatos, sem contar brancos e nulos. A diferença passa de 4,4 milhões de votos, informa a Agência Brasil.

Antes da votação, boa parte do mercado apostava em uma vitória de Flávio, segundo a Reuters, citada pela InfoMoney.

Flávio não reconhece o resultado

Flávio Bolsonaro não reconheceu a derrota. Segundo a Agência Brasil, ele disse: “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram.” Ele afirmou que vai pedir a anulação da eleição. As reportagens consultadas não dizem se o pedido já foi apresentado à Justiça.

Ele também criticou a extensão do horário de votação, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin. A Agência Brasil informa que a mudança foi pedida pelas duas campanhas, inclusive a de Flávio.

O mercado já tinha subido com a aposta em Flávio

No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio ficou à frente de Lula. Na segunda-feira (5), o Ibovespa, principal índice de ações da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, subiu 7,70%, para 206.911,89 pontos. O dólar caiu 4,12%, para cerca de R$ 5,00. Os números são da B3, segundo o site Bora Investir.

Na sexta-feira (23), véspera da votação, o Ibovespa fechou em 205.082,56 pontos, com alta de 0,47%. O dólar comercial recuou 0,90%, para R$ 4,993, segundo a InfoMoney.

Analistas apontam a questão fiscal

Gustavo Trotta, da Valor Investimentos, disse: “Essa virada vai na contramão do que o mercado vinha precificando.” Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, afirmou que o mercado “vinha apostando em uma mudança na política fiscal, com maior controle dos gastos públicos”. As duas falas são da Forbes Brasil.

Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, afirmou ao Correio Braziliense: “O presidente Lula optou por medidas expansionistas e isso precisará ser equacionado no Orçamento de 2027.” Medidas expansionistas são as que aumentam os gastos do governo. O discurso de vitória de Lula não tratou de ajuste fiscal nem de medidas para a dívida pública, segundo o PlatôBR.

O histórico, porém, não é uniforme. Entre o primeiro e o segundo turno, o Ibovespa subiu em cinco das seis eleições presidenciais desde 2002, segundo levantamento da InfoMoney. Em 2006, quando Lula foi reeleito, subiu 7,9% nesse intervalo. Em 2014, com Dilma Rousseff reeleita, caiu 4,77%.

O que diz o Bradesco BBI: O banco reduziu taticamente sua recomendação para ações brasileiras, de overweight (acima da média) para neutra. Segundo a InfoMoney, que publicou a informação às 21h57 de domingo (25), o banco afirmou que “o rali observado após as eleições avançou mais rápido do que os próximos catalisadores capazes de sustentar novas altas”. O relatório, segundo a mesma reportagem, não cita a eleição.

O que ainda não se sabe

A B3 abre na segunda-feira (26), e o pregão ainda não aconteceu no momento deste texto. Nas reportagens consultadas, não há variação confirmada dos contratos futuros do Ibovespa.

Fora do pregão, o ETF iShares MSCI Brazil (EWZ), negociado nos Estados Unidos, operava com queda de quase 20% no after-market, a negociação depois do fechamento, segundo o InfoMoney. Em Tóquio, um fundo que replica o Ibovespa caiu 13% na abertura, segundo a Bloomberg Línea.

O analista Gabriel Uarian, da Cultura Capital, disse: “Acredito em queda forte na bolsa amanhã e em um pregão muito volátil.” Ele considera possível uma queda superior a 5% do Ibovespa e o acionamento do circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações em quedas fortes.

Analistas ouvidos pela Forbes Brasil dizem que os primeiros sinais do novo governo, como a escolha do ministro da Fazenda, devem definir o tamanho da correção dos juros futuros. Os dados disponíveis mostram uma reação forte, ainda fora do pregão. O que falta é ver se a B3 confirma a queda e se o governo indica como vai cuidar das contas.

Como fizemos: Usamos fechamentos do Ibovespa e do dólar publicados pela B3 (via Bora Investir) e pela InfoMoney, além de reportagens da Bloomberg Línea, Agência Brasil, Forbes Brasil, Correio Braziliense e PlatôBR, consultadas em 26 de outubro de 2026. Não fizemos cálculos próprios. Os números de domingo (25) são de negociação fora do pregão e do mercado futuro, preliminares, e variam entre veículos. Para o fechamento de 5 de outubro, outras reportagens citam 207.190 pontos; usamos o número da B3. O pregão de segunda-feira (26) não está incluído.

Fontes