Soberania e Defesa

Após vitória, Lula diz que Brasil não cabe no quintal de ninguém

Lula repetiu a frase que usou na ONU. Sheinbaum, Peña e Orsi o felicitaram; Milei e Trump não o felicitaram até a publicação.

Ilustração abstrata em verde e amarelo, nas cores da marca Auriverde, sem pessoas nem prédios
Imagem provisória, até a foto licenciada deste tema ser incluída.Ilustração: Imagem provisória

Na noite de domingo (25), na comemoração da vitória no segundo turno, Lula repetiu a frase que havia usado na ONU. “Eu quero pedir para outra vez tocar o Hino da Independência para eles saberem que nós não cabemos no quintal de ninguém”, disse ele, segundo a transcrição publicada pela Rede 98.

Líderes da América Latina felicitaram o presidente logo após a apuração. O governo da Argentina evitou parabenizar o vencedor. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não comentou o resultado até a publicação desta reportagem.

A frase não é nova. Em 22 de setembro, na abertura do debate geral da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Lula disse que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Ao falar da América Latina, afirmou que a “proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável”. Segundo ele, essa relação deve respeitar a soberania dos países da região. A leitura de que a fala mirava os Estados Unidos é da reportagem, não uma declaração literal de Lula.

Quem felicitou e quem ficou em silêncio

A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, escreveu na rede social X: “Viva la democracia, ganó el pueblo de Brasil. ¡Felicidades presidente Lula!”. Em tradução nossa, a frase diz: “Viva a democracia, ganhou o povo do Brasil. Parabéns, presidente Lula!”.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, disse: “Continuaremos trabalhando juntos pelo bem-estar de nossos povos”. O uruguaio Yamandú Orsi afirmou ter conversado com Lula, a quem chamou de “amigo”. O chileno José Antonio Kast disse ter telefonado ao petista para parabenizá-lo.

O ex-presidente colombiano Gustavo Petro chamou a vitória de “uma derrota estratégica para as forças das trevas”. O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, falou em continuidade do “caminho de paz, soberania e justiça social”.

O argentino Javier Milei, aliado de Flávio Bolsonaro, ficou em silêncio até a noite, segundo a Bloomberg Línea. Antes da votação, ele havia chamado Lula de “esquerdista ladrão”. A relação de Milei com a campanha brasileira foi tratada em reportagem anterior do Auriverde.

O que diz Donald Trump: No dia da votação, ele disse a jornalistas: “Não quero entrar nesse assunto, mas estamos monitorando.” Até a publicação, não havia declaração oficial dele sobre o resultado. Fonte: Metrópoles.

Soberania e a contestação de Flávio

Na mesma fala, Lula também falou em uma “intromissão que veio de fora para dentro”, ao tratar das plataformas digitais. Segundo o Seu Dinheiro, ele prometeu regulamentar as redes sociais.

Com 100% das urnas apuradas, Lula teve 64.256.232 votos, ou 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro teve 59.826.041, ou 48,21%, segundo a totalização divulgada pelo Diário de Pernambuco. A diferença foi de cerca de 4,4 milhões de votos.

Ainda na noite de domingo, Flávio Bolsonaro afirmou que vai pedir a anulação da eleição, segundo o Exame.

O que segue em aberto

A maioria dos governos da região felicitou Lula. Já o governo dos Estados Unidos, a quem a imprensa associou a fala da ONU, e o governo argentino não o parabenizaram até a publicação.

Em aberto, ficam duas perguntas: se Milei e Trump reconhecerão o resultado, e se o pedido de anulação anunciado por Flávio Bolsonaro chegará à Justiça. A noite de domingo mostra o que foi dito, não o desfecho.

Como fizemos: Usamos transcrições e reportagens publicadas em 25 e 26 de outubro de 2026, acessadas em 26 de outubro de 2026. Não encontramos transcrição oficial completa do discurso da vitória, e as reportagens citam a frase com palavras diferentes; usamos a versão da Rede 98. Os números de votos são os divulgados pelo TSE e reproduzidos pelo Diário de Pernambuco. A diferença de votos é uma subtração, feita por nós.

Fontes