Soberania e Defesa

Trump põe em dúvida a eleição de Lula, e tarifa de 25% segue

Trump disse que a eleição pareceu ter fraude; até segunda, a Casa Branca não reconhecia Lula, e a tarifa de 25% segue em vigor.

Lula e Trump, de terno escuro, sorriem lado a lado no Salão Oval da Casa Branca, com objetos dourados ao fundo
Lula e Trump posam no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, durante encontro de 7 de maio de 2026.Foto: Ricardo Stuckert / PR / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na segunda-feira (26), um dia depois da reeleição de Lula, o presidente dos Estados Unidos comentou a eleição brasileira. Segundo a BBC News Brasil, Donald Trump disse que o resultado “pareceu ter fraude”. Na mesma fala, afirmou que gosta de Lula.

Lula venceu o segundo turno no domingo (25), contra Flávio Bolsonaro. Até a tarde de segunda, porém, o governo americano não tinha reconhecido o resultado, segundo a Exame.

Trump fala, e o Planalto espera

Trump afirmou que não pretende agir sobre o resultado, segundo a BBC News Brasil. Perguntado se faria algo, respondeu: “Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos.” A frase foi publicada pela CNN Brasil.

Do lado brasileiro, o tom é de espera. Fontes do Palácio do Planalto e do Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores, disseram ao SBT News que a fala “não exige uma reação neste momento”.

A tarifa de 25% segue em vigor

A tensão comercial não depende da eleição. Em 15 de julho, o Representante Comercial dos EUA (USTR) anunciou uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301. Essa é uma lei de comércio americana que permite investigar práticas de outros países e aplicar tarifas.

A medida valeu a partir de 22 de julho, para todos os produtos do Brasil fora de dois anexos de exceção. Itens já sujeitos à Seção 232, outra lei de tarifas, também ficam de fora. Um segundo processo, sobre trabalho forçado, soma 12,5%.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as duas sobretaxas chegam a 37,5% e atingem 16,5% das exportações brasileiras aos EUA. O USTR disse que “negociações extensas” com o Brasil “não resolveram” os problemas, mas que os EUA “continuam abertos a negociações” (tradução livre).

Negociação sem data e visto cancelado

Em 27 de julho, o Brasil pediu consultas aos EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC), que arbitra disputas comerciais. Segundo nota do Itamaraty citada pelo O Povo, as tarifas são “injustificadas e incompatíveis” com as regras internacionais de comércio.

Em 31 de agosto, os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (MDIC) reuniram-se por videoconferência com o representante comercial Jamieson Greer. Segundo nota dos ministérios brasileiros, as justificativas dos EUA “não correspondem às efetivas práticas brasileiras”. Novas reuniões técnicas e um encontro ministerial estão previstos, sem data para um acordo.

Segundo a CNN Brasil, o governo não espera avanço rápido, e um acordo só deve sair depois da eleição.

Há ainda um impasse diplomático. Em 4 de agosto, o governo americano cancelou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi uma reação à demora do Brasil em dar o agrément, o aval diplomático, ao indicado de Trump para a embaixada em Brasília, Daniel Perez.

O que diz Donald Trump: Perguntado se faria algo sobre o resultado, disse: “Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos.” Até a publicação, não encontramos nota oficial da Casa Branca nem do Departamento de Estado sobre a eleição.

O que vem a seguir

Três pontos seguem abertos: o reconhecimento formal da eleição, o destino da sobretaxa de 25% e a embaixada. Segundo a consultoria EY, a lei permite ao USTR mudar ou encerrar a tarifa. O órgão diz que segue acompanhando os temas da investigação.

A analista Julia Thomson, da consultoria Eurasia Group, disse à Exame que o reconhecimento pode demorar: “Pode levar dias, mas eventualmente eles vão aceitar os resultados.” Por enquanto, as medidas oficiais são as do USTR, e a fala de Trump não alterou nenhuma delas.

Fontes