Política

Presidente do TSE liga para Lula e Flávio e confirma resultado

O presidente do TSE ligou aos dois candidatos na noite de domingo; Flávio promete pedir anulação, e não localizamos nota da OAB ou da PGR.

Prédio-sede do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília, com fachada de vidro escuro e cobertura curva branca, sob céu com nuvens
Sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.Foto: Alexandresena / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na noite de domingo (25), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, ligou para Lula e para Flávio Bolsonaro para confirmar o resultado. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, que excluem brancos e nulos. Por volta das 22h40, Flávio disse que é “impossível reconhecer o resultado das eleições”.

Esta reportagem reúne o que foi dito e documentado até a manhã de segunda-feira (26). Mostra quem reconheceu a vitória, quem contestou e quais instituições ainda não se manifestaram.

A votação estendida e o TSE

A controvérsia começou no fim da tarde. A campanha de Lula acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) por causa de problemas de transporte de eleitores em várias cidades, segundo a Agência Brasil. O ministro Cristiano Zanin acolheu o pedido e determinou a prorrogação da votação até as 19h. A decisão foi divulgada às 17h03, segundo o Poder360.

Depois, em nota de esclarecimento, Zanin disse que a medida valia apenas para os locais onde as urnas não tinham sido fechadas, também segundo o Poder360.

Na noite de domingo, Nunes Marques ligou para os dois candidatos. Segundo o Metrópoles, ele disse: “Registro que liguei para os dois candidatos para confirmar o resultado do pleito.” Às 22h17, já havia criticado a medida. “Não é uma decisão convencional”, afirmou, segundo a cobertura ao vivo da Bloomberg Línea. Ele acrescentou: “Prorrogar uma eleição é possível, mas tem que ser algo calculado e estruturado.”

O presidente da corte confirmou a vitória e, ao mesmo tempo, questionou a forma como a votação foi estendida. Não encontramos nenhuma fonte em que o TSE conteste a apuração.

Flávio, aliados e os partidos que reconheceram

Em pronunciamento na noite de domingo, Flávio disse, segundo a Gazeta do Povo: “Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições.” Anulação é o pedido para cancelar a eleição. Ele chamou a decisão de Zanin de “uma canetada”.

Aliados seguiram o mesmo caminho. Segundo a Bloomberg Línea, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, chamou a decisão de vergonhosa. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) disse que a prorrogação busca criar uma narrativa de golpe.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também criticou a decisão na rede X, antiga Twitter. Ele cobrou explicações sobre os fundamentos e a execução da medida, às 19h19, segundo a Bloomberg Línea.

Outros partidos foram para o outro lado. O Republicanos, partido de Tarcísio, reconheceu a vitória de Lula. O presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, parabenizou o petista no X na noite de domingo, segundo a BBC News Brasil. O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) também reconheceu o resultado. Para o partido, “a vontade popular se fez soberana”, segundo o jornal A Crítica.

O que não apareceu: OAB, PGR e STF

Não localizamos nota da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre o segundo turno. A cobertura ao vivo da Bloomberg Línea, encerrada à 0h06 de segunda-feira (26), também não registrou falas da OAB nem da Procuradoria-Geral da República (PGR). Não encontramos declarações públicas de outros ministros do STF sobre o resultado.

O que diz Flávio Bolsonaro (PL): Em pronunciamento na noite de domingo (25), afirmou que “é impossível reconhecer o resultado das eleições” e que vai pedir a anulação. A fala foi publicada pela Gazeta do Povo, que a atribuiu à decisão de prorrogar a votação.

O que vem a seguir

A promessa de Flávio ainda aparece apenas em falas públicas. As fontes consultadas não descrevem uma ação protocolada, nem dizem qual recurso a campanha vai usar.

Nas falas que localizamos, a contestação se apoia na prorrogação da votação, e não em erro de apuração. Qualquer pedido formal de anulação será analisado pela Justiça Eleitoral.

Como fizemos: Reunimos reportagens de 25 e 26 de outubro de 2026, acessadas em 26/10/2026: Poder360, Metrópoles, Gazeta do Povo, Agência Brasil, Bloomberg Línea (cobertura ao vivo), A Crítica e BBC News Brasil, republicada pelo A Gazeta. Usamos apenas falas com horário confirmado ou ocorridas na noite de domingo, até a manhã de segunda-feira (26). Não entraram declarações sem horário verificado. Não houve contato prévio com TSE, OAB, PGR ou campanha de Flávio: as posições vêm de falas públicas.

Fontes