Política

Três projetos em pauta ampliam proteção a mulheres na Câmara

Propostas tratam de violência política, reconhecimento de medidas protetivas no Mercosul e monitoração eletrônica de agressores.

Parlamentares sentados em fórum sobre questões de gênero, com Daiana Santos à direita na primeira fileira
Daiana Santos, à direita na primeira fileira, durante fórum parlamentar sobre questões de gênero em Brasília, em 6 de novembro de 2024.Foto: Saulo Cruz / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Câmara colocou três propostas de proteção às mulheres na pauta desta quarta-feira (28). Os textos tratam de violência política, medidas protetivas no Mercosul e monitoração eletrônica. A sessão foi marcada para as 13h55.

A presença na pauta não significa aprovação. Um dos itens tem votação prevista apenas para o pedido de urgência. Se esse pedido passar, a análise do conteúdo será acelerada, mas ainda dependerá do Plenário.

As três propostas respondem a situações diferentes. Uma protege mulheres que ocupam espaços de poder. Outra facilita o reconhecimento de ordens de proteção entre países. A terceira trata do acompanhamento eletrônico de agressores.

O que cada texto pretende mudar

O Projeto de Lei (PL) 68/2025 cria medidas de apoio a mulheres em espaços de poder que sofram violência política de gênero. Esse tipo de violência busca impedir ou dificultar a atuação política por causa do gênero.

A proposta é da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), com relatoria de Natália Bonavides (PT-RN). O texto altera a legislação de enfrentamento à violência política e o Código Eleitoral, segundo a agenda legislativa do Senado.

O Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 274/2026 aprova um acordo do Mercosul e de estados associados. O objetivo é o reconhecimento mútuo de medidas de proteção a mulheres em situação de violência de gênero.

Propostas cobrem poder, fronteiras e medidas protetivas Itens incluídos na pauta da Câmara em 28 de outubro de 2026

Proposta Tema central O que está em análise
PL 68/2025 Violência política Apoio a mulheres em espaços de poder
PDL 274/2026 Cooperação regional Reconhecimento de medidas entre países
PL 5.542/2026 Monitoração eletrônica Pedido de urgência para garantias mínimas

Fonte: Câmara dos Deputados. Elaboração: redação.

O PDL é o instrumento usado pelo Congresso para aprovar determinados acordos internacionais. A deputada Erika Hilton (Psol-SP) é a relatora. O reconhecimento mútuo busca evitar que uma proteção perca eficácia apenas porque a mulher cruzou uma fronteira.

Monitoração ainda depende de urgência

O PL 5.542/2026 altera a Lei Maria da Penha. Ele estabelece garantias mínimas para executar a monitoração eletrônica quando essa tecnologia for usada como medida protetiva de urgência.

A pauta prevê primeiro o pedido de urgência feito pelo deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL). A proposta é de autoria do deputado Yury Bruno (MDB-CE). A Câmara ainda não apresentou na nota uma lista das garantias que serão exigidas.

Essa distinção é importante para o leitor. Aprovar urgência não muda a Lei Maria da Penha. Apenas permite que o mérito do projeto seja votado mais rapidamente.

O que diz a Câmara: A pauta informa que os três itens “podem ser votados”, sem antecipar o resultado. No PL 5.542/2026, a previsão inicial é analisar a urgência, não o mérito da proposta.

O que acontece depois

Se aprovados, os projetos de lei seguirão para o Senado. O PDL terá o caminho próprio de aprovação do acordo no Congresso. Nenhum dos três itens deve ser tratado como regra já vigente.

O próximo registro oficial será o resultado da sessão. Ele mostrará se houve aprovação, alterações ou retirada de pauta. Até lá, o que existe é uma agenda de proteção em três frentes distintas.

Como fizemos: Consultamos a pauta publicada pela Câmara em 28/10/2026 e a agenda legislativa do Senado que resume o PL 68/2025. Organizamos os textos por finalidade e separamos análise de mérito e pedido de urgência. Não atribuímos às propostas efeitos que ainda dependem de aprovação.

Fontes