Economia

Mínimo de R$ 1.741 em 2027 atinge cerca de 35 milhões de benefícios

Mínimo de R$ 1.741 no Orçamento de 2027 atinge INSS e BPC; consultorias do Congresso estimam custo de R$ 49,6 bilhões.

Fachada do Palácio do Congresso Nacional, em Brasília, com as duas torres, a cúpula da Câmara e a cúpula do Senado refletidas no espelho d'água sob céu azul
Palácio do Congresso Nacional, em Brasília, onde o projeto do Orçamento de 2027 tramita.Foto: Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na segunda-feira (31 de agosto), o governo enviou ao Congresso o Orçamento de 2027 com salário mínimo de R$ 1.741. A alta é de R$ 120 sobre os R$ 1.621 de 2026, cerca de 7,4%, segundo a Agência Senado. O número não vale só para quem tem carteira assinada. Ele também fixa o piso de benefícios do INSS e do BPC.

O valor ainda é projeção. A versão final sai em dezembro, depois que o IBGE divulgar a inflação de novembro.

Como o mínimo é corrigido

A regra vem da Lei 14.663, de 2023. O reajuste soma duas parcelas. A primeira repõe a inflação dos 12 meses até novembro, medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). A segunda é um ganho real igual ao crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas produzidas no país) de dois anos antes.

Se o PIB cair, o mínimo sobe só com a inflação. Entre 2025 e 2030, o ganho real também fica entre 0,6% e 2,5% ao ano, limites do arcabouço fiscal, segundo o Jornal do Brasil.

Quem é afetado

Pela Constituição, nenhum benefício que substitua o salário pode ser menor que o mínimo. Segundo o Poder360, 28,3 milhões de benefícios do INSS pagam um salário mínimo. Eles são 68% dos 41,6 milhões do regime.

O BPC (Benefício de Prestação Continuada) paga um salário mínimo a pessoas com deficiência e a idosos de 65 anos ou mais. A renda por pessoa da família precisa ser de até um quarto do mínimo. Segundo o Poder360, são 6,7 milhões de beneficiários. Somados aos do INSS, dão cerca de 35 milhões de benefícios, conta nossa.

O seguro-desemprego não pode ficar abaixo do mínimo. O abono salarial do PIS/Pasep vai a quem recebeu até dois mínimos de remuneração média mensal, com teto de um mínimo por ano (Lei 7.998, de 1990). A mensagem do PLOA, segundo o Jornal do Brasil, cita esses quatro itens.

Mínimo ganhou 8,9% acima da inflação entre 2023 e 2026 Valor mensal em reais; reais de dezembro de 2025, corrigidos pelo IPCA

Ano Mínimo (R$) Alta nominal Em reais de dez/2025
2023 1.302* — 1.489
2024 1.412 6,97%** 1.543
2025 1.518 7,5% 1.583
2026 1.621 6,79% 1.621
2027 (proposta) 1.741 7,4% ainda sem IPCA de 2026

Fonte: Decretos 12.342/2024 e 12.797/2025 (Planalto); MP 1.172/2023; IPCA de 2023 a 2025 (OBECON-UFMS, IBGE). Elaboração: redação. * Valor de janeiro; R$ 1.320 desde maio de 2023. ** Sobre R$ 1.320, valor vigente no fim de 2023.

Quanto custa aos cofres públicos

O governo usa um parâmetro do PLDO 2027, enviado em abril: cada R$ 1 a mais no mínimo gera cerca de R$ 413,2 milhões em despesas primárias, gastos que não incluem juros da dívida. Com a alta de R$ 120, as consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado estimam R$ 49,6 bilhões a mais, segundo o Poder360.

Descontado o aumento da arrecadação previdenciária, o efeito líquido cai para R$ 48,6 bilhões. Um cálculo privado, do economista José Alfaix (Rio Bravo), chega a pelo menos R$ 54,6 bilhões, sem crescer o número de beneficiários.

Por fim, a revisão de R$ 24 sobre a estimativa de abril, de R$ 1.717, soma cerca de R$ 9,9 bilhões (nossa conta: R$ 24 × R$ 413,2 milhões). O governo ainda não divulgou estimativa oficial atualizada do impacto total, segundo o Poder360.

A conta de inflação não fecha

A Agência Senado cita inflação de 3,6% e diz que o reajuste fica 2,3 pontos acima dela. Esses números não batem com a alta de 7,4%. Com inflação de 3,6%, o aumento exigiria ganho real de cerca de 3,7%, acima do teto de 2,5%.

A conta só fecha com INPC perto de 4,9%, número citado pela Brasil 61. Se o índice de novembro vier diferente, o valor final muda.

O que diz o Ministério da Fazenda: o ministro Dario Durigan anunciou, em 24 de agosto de 2026, que o mínimo deve subir para R$ 1.741 em 2027, segundo o Mercado & Consumo. O Poder360 informa que o governo ainda não publicou estimativa oficial atualizada do impacto total. Até a publicação, não encontramos outra manifestação pública do ministério sobre o tema.

O que isso significa

O mínimo de 2027 alcança cerca de 35 milhões de benefícios e pesa dezenas de bilhões no Orçamento. O número final depende do INPC de novembro, e o decreto com o valor sai em dezembro. Até lá, o Congresso analisa o projeto. Cada R$ 1 a mais no mínimo custa cerca de R$ 413 milhões à União.

Como fizemos: Usamos a Agência Senado (31/08/2026), o Poder360 (25/08 e 17/09/2026), o Jornal do Brasil (05/10/2026), a Brasil 61 e os decretos e leis do Planalto, acessados em 27 de outubro de 2026. Corrigimos os valores pelo IPCA de 2023 (4,62%), 2024 (4,83%) e 2025 (4,26%), para reais de dezembro de 2025, tomando o valor de 2026 como base. As somas de 35 milhões de benefícios, a revisão de R$ 9,9 bilhões e o ganho real de 3,7% são cálculos nossos, e os demais números vêm das fontes citadas. Não enviamos perguntas ao ministério, e a posição vem de reportagens; não há dados verificados do Dieese ou do IBGE sobre seguro-desemprego e abono.

Fontes