Ipea aponta desemprego mínimo e freio na criação de vagas
Desocupação cai a 5,3%, mas saldo formal em 12 meses recua 38,8%; renda média real ainda cresce 3,7% no trimestre até agosto.

O Brasil tinha 103,7 milhões de pessoas ocupadas em agosto, com desocupação de 5,3%. É a menor taxa para esse trimestre desde o início da pesquisa, em 2012. O resultado, porém, convive com uma desaceleração na criação de vagas.
O saldo de empregos formais em 12 meses caiu de 1,45 milhão para 887,7 mil. A redução é de 38,8% na comparação com o período terminado em agosto de 2025. Os dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), analisado pelo Ipea.
A pesquisa não aponta uma reversão generalizada do mercado de trabalho. Ela mostra duas tendências simultâneas: desemprego baixo e menor impulso na ocupação e na renda.
O recorde e o freio
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) mede trabalho e renda nas residências. No trimestre até agosto, a desocupação recuou 0,3 ponto percentual ante o mesmo período de 2025, quando estava em 5,6%.
A população ocupada aumentou 1,3 milhão em 12 meses. A taxa de expansão foi de 1,3%, abaixo dos 1,7% observados um ano antes. O crescimento segue positivo, mas perdeu intensidade.
Emprego cresce, mas em ritmo menor Comparação de indicadores terminados em agosto, 2025 e 2026
| Indicador | 2025 | 2026 |
|---|---|---|
| Desocupação | 5,6% | 5,3% |
| Crescimento anual da ocupação | 1,7% | 1,3% |
| Saldo formal acumulado em 12 meses | 1,45 milhão | 887,7 mil |
| Expansão do estoque formal | 3,2% | 1,9% |
Fonte: Ipea, com PNAD Contínua e Novo Caged. Variação do saldo formal: cálculo da redação.
A força de trabalho somou 109,5 milhões de pessoas, com alta de 0,8% em um ano. Como a ocupação cresceu mais, a desocupação recuou. A taxa de participação ficou em 62,4%, igual à de agosto de 2025.
Participação e renda completam o quadro
Antes da pandemia, a participação era de 63,2%. O Ipea calcula que, com esse nível e o atual contingente ocupado, a desocupação estaria perto de 6,8%. É uma simulação, não outra medição oficial da taxa.
A renda ainda traz um contraponto favorável. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.777, com alta de 3,7% em um ano. “Real” significa que o cálculo desconta a inflação.
A massa de rendimentos, que reúne os rendimentos dos trabalhadores, somou R$ 385,6 bilhões. Foi um recorde, com avanço real de 4,8%. O ritmo, porém, está abaixo dos cerca de 7% registrados na virada de 2025 para 2026.
O que diz o Ipea: O instituto descreve um mercado ainda favorável, com expansão perdendo intensidade e sem evidência de reversão generalizada. Sua projeção condicional prevê alta gradual da desocupação em 2027, diante de juros restritivos e menor impulso da atividade.
Fim de ano pode mudar o ritmo
As contratações sazonais podem favorecer os próximos indicadores. Mesmo assim, o Ipea espera uma expansão anual do emprego cada vez menos intensa. A previsão depende do comportamento da economia e da política de juros.
A participação será decisiva para interpretar os dados. Se mais pessoas procurarem trabalho, a desocupação pode subir mesmo com novas vagas. Por isso, a taxa de 5,3% não resume sozinha a situação dos trabalhadores.
Como fizemos: Consultamos a Nota de Conjuntura 25 do Ipea, publicada em 28/10/2026. Dividimos 887,7 mil por 1,45 milhão para calcular a redução de 38,8% no saldo formal. Usamos os dados dessazonalizados, que retiram efeitos típicos de cada época do ano. Projeções e simulações foram identificadas separadamente.



