Economia

Ipea aponta desemprego mínimo e freio na criação de vagas

Desocupação cai a 5,3%, mas saldo formal em 12 meses recua 38,8%; renda média real ainda cresce 3,7% no trimestre até agosto.

Trabalhadores com uniformes laranja espalham asfalto em obra de rodovia no Distrito Federal
Trabalhadores em obra da Estrada Parque Contorno, no Distrito Federal, em 22 de agosto de 2023.Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Brasil tinha 103,7 milhões de pessoas ocupadas em agosto, com desocupação de 5,3%. É a menor taxa para esse trimestre desde o início da pesquisa, em 2012. O resultado, porém, convive com uma desaceleração na criação de vagas.

O saldo de empregos formais em 12 meses caiu de 1,45 milhão para 887,7 mil. A redução é de 38,8% na comparação com o período terminado em agosto de 2025. Os dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), analisado pelo Ipea.

A pesquisa não aponta uma reversão generalizada do mercado de trabalho. Ela mostra duas tendências simultâneas: desemprego baixo e menor impulso na ocupação e na renda.

O recorde e o freio

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) mede trabalho e renda nas residências. No trimestre até agosto, a desocupação recuou 0,3 ponto percentual ante o mesmo período de 2025, quando estava em 5,6%.

A população ocupada aumentou 1,3 milhão em 12 meses. A taxa de expansão foi de 1,3%, abaixo dos 1,7% observados um ano antes. O crescimento segue positivo, mas perdeu intensidade.

Emprego cresce, mas em ritmo menor Comparação de indicadores terminados em agosto, 2025 e 2026

Indicador 2025 2026
Desocupação 5,6% 5,3%
Crescimento anual da ocupação 1,7% 1,3%
Saldo formal acumulado em 12 meses 1,45 milhão 887,7 mil
Expansão do estoque formal 3,2% 1,9%

Fonte: Ipea, com PNAD Contínua e Novo Caged. Variação do saldo formal: cálculo da redação.

A força de trabalho somou 109,5 milhões de pessoas, com alta de 0,8% em um ano. Como a ocupação cresceu mais, a desocupação recuou. A taxa de participação ficou em 62,4%, igual à de agosto de 2025.

Participação e renda completam o quadro

Antes da pandemia, a participação era de 63,2%. O Ipea calcula que, com esse nível e o atual contingente ocupado, a desocupação estaria perto de 6,8%. É uma simulação, não outra medição oficial da taxa.

A renda ainda traz um contraponto favorável. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.777, com alta de 3,7% em um ano. “Real” significa que o cálculo desconta a inflação.

A massa de rendimentos, que reúne os rendimentos dos trabalhadores, somou R$ 385,6 bilhões. Foi um recorde, com avanço real de 4,8%. O ritmo, porém, está abaixo dos cerca de 7% registrados na virada de 2025 para 2026.

O que diz o Ipea: O instituto descreve um mercado ainda favorável, com expansão perdendo intensidade e sem evidência de reversão generalizada. Sua projeção condicional prevê alta gradual da desocupação em 2027, diante de juros restritivos e menor impulso da atividade.

Fim de ano pode mudar o ritmo

As contratações sazonais podem favorecer os próximos indicadores. Mesmo assim, o Ipea espera uma expansão anual do emprego cada vez menos intensa. A previsão depende do comportamento da economia e da política de juros.

A participação será decisiva para interpretar os dados. Se mais pessoas procurarem trabalho, a desocupação pode subir mesmo com novas vagas. Por isso, a taxa de 5,3% não resume sozinha a situação dos trabalhadores.

Como fizemos: Consultamos a Nota de Conjuntura 25 do Ipea, publicada em 28/10/2026. Dividimos 887,7 mil por 1,45 milhão para calcular a redução de 38,8% no saldo formal. Usamos os dados dessazonalizados, que retiram efeitos típicos de cada época do ano. Projeções e simulações foram identificadas separadamente.

Fontes