Soberania e Defesa

Defesa terá R$ 147,68 bilhões em 2027, e pessoal leva a maior parte

A proposta de 2027 reserva R$ 147,68 bilhões à Defesa. Pessoal e aposentados levam a maior parte, e os investimentos somam R$ 12,7 bilhões.

Caça F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira voando sobre nuvens, com a silhueta de uma mão em primeiro plano
Caça F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira em voo, fotografado através de um vidro, em 25 de março de 2026.Foto: Lula Oficial / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na proposta de Orçamento de 2027, o Ministério da Defesa tem previstos R$ 147,68 bilhões. As Forças Armadas são o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. O governo enviou o projeto ao Congresso em 31 de agosto. Segundo a publicação britânica Janes, R$ 108 bilhões desse valor vão para pagar pessoal e aposentados.

O documento se chama Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). Ele fixa quanto cada ministério pode gastar no ano seguinte. O Congresso vota a versão final, prevista para dezembro de 2026, segundo a Janes.

Na Defesa, a verba se divide em três tipos de gasto. Pessoal inclui salários, encargos e pensões de militares da ativa, aposentados e pensionistas. Custeio paga o funcionamento do dia a dia, como a manutenção. Investimento cobre obras e a compra de equipamentos permanentes, segundo o Agora RN.

Pessoal leva a maior parte

Divisão da verba da Defesa na proposta de 2027 Valores propostos, em R$ bilhões

Gasto R$ bilhões Parcela
Pessoal e encargos sociais 108,00 73,1%
Custeio 21,70 14,7%
Investimentos 12,70 8,6%
Sem explicação nas fontes 5,28 3,6%
Total 147,68 100%

Fontes: Janes e Sociedade Militar. Elaboração: redação.

De cada R$ 100 da Defesa, cerca de R$ 73 pagam pessoas. Apenas cerca de R$ 9 vão para obras e equipamentos. Os três grupos somam R$ 142,4 bilhões. A diferença de R$ 5,28 bilhões não aparece nas fontes que checamos.

Nossa conta, com dados da Janes, indica que a Defesa fica com cerca de 2% das despesas previstas para 2027, de R$ 7,44 trilhões.

Equipamentos: o caça Gripen lidera

Reportagens que citam o Volume II do projeto mostram os itens de maior valor. O caça Gripen, na versão F-39E, recebe a maior fatia. Parte desses projetos entra no Novo PAC, o programa federal de investimentos, segundo a Sociedade Militar.

Projetos com maior dotação na proposta de 2027 Valores propostos, em R$ milhões

Projeto R$ milhões
Caça Gripen (programa FX-2) 2.891
Reator do submarino nuclear 1.430
Forças Blindadas, incluindo Guarani 6x6 1.020
Sistema ASTROS-FOGOS, de mísseis e foguetes 671,4
Avião cargueiro KC-390 Millennium 571,8
Sisfron, de monitoramento de fronteiras 467

Fontes: Poder Aéreo; Forças Terrestres; Sociedade Militar. Elaboração: redação.

Os três primeiros itens somam R$ 5,34 bilhões, cerca de 3,6% do total. No programa Defesa Nacional, o Exército aparece com R$ 4,822 bilhões. A Aeronáutica tem R$ 4,259 bilhões.

Comparação com 2026: salto no papel, ganho real incerto

Agora RN informa que o investimento previsto para 2026 era de R$ 7,95 bilhões. A Janes registra o mesmo aumento de 60% para 2027. Essa conta é nominal, sem descontar a inflação.

Corrigido pelo IPCA acumulado em 12 meses até setembro de 2026, de 4,58%, o valor de 2026 vira cerca de R$ 8,3 bilhões. Se os preços de 2027 ficassem no nível de setembro, o ganho seria de cerca de 53%. Com inflação em 2027, o ganho real será menor. O IPCA de 2027 ainda não é conhecido.

Não encontramos, em fonte aberta verificada, o total da Defesa na lei de 2026. Por isso, não comparamos o total com anos anteriores. Em 30 de maio, o governo bloqueou R$ 4,363 bilhões da pasta, segundo a Agência Brasil. Bloqueio segura a verba até nova decisão do governo.

O que diz o Ministério da Defesa: Até a publicação deste texto, não encontramos nota pública do órgão sobre a divisão do orçamento de 2027 entre pessoal, custeio e investimento.

O que isso significa

A proposta prevê R$ 147,68 bilhões para a Defesa. A maior parte cobre salários e aposentadorias. A parte que compra e constrói equipamentos é menor, mas cresce bastante no papel.

Três pontos seguem em aberto. O primeiro é a diferença de R$ 5,28 bilhões na soma das rubricas. O segundo é o total da lei de 2026, que não foi possível verificar. O terceiro é quanto do bloqueio de 2026 será liberado. A decisão cabe ao Congresso e ao governo, na votação prevista para dezembro.

Como fizemos: Usamos o PLN 24/2026, que registra o PLOA 2027 recebido pelo Congresso em 31/08/2026, acessado em 27/10/2026. Os valores por projeto vêm de reportagens de 1º de setembro de 2026 que citam o Volume II do projeto. A divisão em pessoal, custeio e investimento e a comparação com 2026 vêm da Janes (16/09/2026) e do Agora RN (08/09/2026), e não foram conferidas no anexo oficial. Nossos cálculos: as parcelas sobre R$ 147,68 bilhões; a diferença de R$ 5,28 bilhões; a participação de cerca de 2% sobre R$ 7,44 trilhões; e a correção de R$ 7,95 bilhões pelo IPCA de 12 meses até setembro de 2026 (4,58%, série 13522 do Banco Central, acessada em 27/10/2026). O aumento de 53% usa preços de setembro de 2026 e não inclui a inflação de 2027. Não encontramos o total da Defesa na LOA 2026 nem uma série histórica verificada.

Fontes