Economia

Quedas da Bolsa: o que estudos e as crises de 2008 e 2020 mostram

Estudo da J.P. Morgan e as crises de 2008 e 2020 mostram recuperações em prazos muito diferentes. Nenhum dado diz quando chega o fundo.

Dois operadores de costas, sentados diante de uma parede de painéis com cotações em vermelho e verde, no pregão da Bolsa de São Paulo
Operadores diante dos painéis de cotações da Bovespa, em São Paulo. Foto de 2007, não da sessão de hoje.Foto: Rafael Matsunaga / Flickr / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na segunda-feira (26), a B3, a bolsa de valores brasileira, interrompeu os negócios logo na abertura. Foi a primeira vez desde março de 2020 que o circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações após quedas fortes, foi acionado. A informação é da Gazeta do Povo.

Às 13h30, o Ibovespa, principal índice da B3, caía 15,67%, aos 172.940,05 pontos, segundo o SBT News. O movimento veio depois da reeleição de Lula, com 51,79% dos votos válidos no segundo turno, no domingo (25).

Diante de quedas assim, surge uma pergunta antiga: o que a história ensina sobre comprar na queda? Estudos e episódios passados dão algumas pistas. Nenhum deles, porém, diz quando o fundo chega.

O que um estudo da J.P. Morgan mediu

O Guia de Aposentadoria da J.P. Morgan Asset Management, na edição de 2020, simulou US$ 10 mil investidos no S&P 500, índice das 500 maiores empresas dos Estados Unidos. O período foi de 3 de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2019. Quem ficou investido o tempo todo chegou a cerca de US$ 32,4 mil, segundo a Nasdaq.

Quem perdeu os 10 melhores dias do período ficou com cerca de US$ 16 mil. Sem os 20 melhores dias, o valor voltou a cerca de US$ 10 mil. Os melhores dias costumam vir perto dos piores. Na edição de 2024, o banco mostrou que sete dos 10 melhores dias ocorreram a até duas semanas dos 10 piores, segundo a 401k Specialist. Tentar fugir da queda pode, portanto, custar justamente os dias de alta.

O estudo olha para o passado. Ele não prevê nada. Outro trabalho, do pesquisador Hendrik Bessembinder, da Arizona State University, analisou ações americanas de 1926 a 2016. A maioria delas rendeu menos que títulos do Tesouro de curto prazo, usados como referência de baixo risco.

Dois episódios brasileiros

Em 20 de maio de 2008, o Ibovespa chegou a 73.517 pontos, seu pico daquele ciclo. Em 27 de outubro, bateu 29.435 pontos, segundo coluna do InfoMoney. Mas o índice ainda caiu até o fim do ano. Fechou 2008 aos 37.550 pontos, com queda de 41,22%, segundo o DF, jornal chileno de economia.

Em 8 de abril de 2010, o índice estava em 71.784 pontos, ainda abaixo do pico. Em outubro de 2017, marcou nova máxima em termos nominais, perto de 77 mil pontos, segundo o InfoMoney. Corrigido pela inflação, o topo de 2008 só foi superado em 15 de abril de 2026, quase 18 anos depois. A análise é de Einar Rivero, da Elos Ayta, citado pelo Poder360.

Em 2020, o quadro foi outro. Em 23 de março, o Ibovespa chegou à mínima do ano, aos 63.569 pontos. Março fechou com queda de 29,9%, segundo o Poder360. Em 14 de dezembro, o índice voltou ao nível pré-pandemia, segundo a Suno Notícias. O ano fechou aos 119.017 pontos, com alta de 2,92%.

Os dois casos mostram prazos muito diferentes. Em 2020, a recuperação em pontos levou cerca de nove meses. Em 2008, levou quase uma década em termos nominais.

O que diz William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue: Em análise publicada pela Exame às 5h desta segunda-feira, ele disse que a reeleição pode pressionar o dólar, os juros futuros e a Bolsa. Para ele, a reação deve ser limitada pelo Congresso, que atuaria como contrapeso ao governo.

O que fica em aberto

A história mostra que a Bolsa brasileira já caiu com força e se recuperou. Também mostra que o tempo de recuperação variou de meses a quase duas décadas. Nenhum desses casos antecipa o fundo do ciclo atual, nem quando ele chegará.

Ativos podem perder valor, e pânicos podem se aprofundar. Resultado passado não garante resultado futuro. Este texto não recomenda nenhum ativo.

Como fizemos: Usamos reportagens e análises listadas em Fontes, acessadas em 26 de outubro de 2026. Não abrimos a edição de 2020 do guia da J.P. Morgan; os números vêm de reportagens sobre ela. Os níveis do Ibovespa são nominais, sem correção pela inflação, exceto no recorde real. O número de 27 de outubro de 2008 não informa se é fechamento ou mínima do dia. A alta de cerca de 15% entre 23 e 31 de março de 2020 é cálculo nosso, a partir de 63.569 e 73.019 pontos. Os dados de hoje são até as 13h58.

Fontes