Política

Em que Flávio votou: guia de sete anos de Senado

Da reforma da previdência ao fim do 6x1, os principais votos de Flávio no Senado desde 2019, com o placar de cada um, e as faltas que ele acumulou em 2026.

O senador Flávio Bolsonaro, de terno escuro e gravata, fala diante de um microfone da TV Senado.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concede entrevista no Senado Federal, em Brasília (foto de arquivo de junho de 2025).Foto: Carlos Moura / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Na quarta-feira (14), Flávio Bolsonaro votou a favor do fim da escala 6x1, a jornada de seis dias de trabalho para um de folga. A proposta passou por 75 votos a 1. Foi o voto mais recente de um senador que chegou à Casa em 2019. Ele disputa a Presidência no dia 25.

Discursos mudam com a campanha. Votos ficam registrados no painel. Este guia reúne os principais votos de Flávio em sete anos de Senado, com o placar de cada um.

Economia e trabalho

  • Reforma da previdência (outubro de 2019): votou sim. A proposta de emenda à Constituição (PEC) passou em segundo turno por 60 a 19 e endureceu as regras de aposentadoria.
  • PEC Emergencial (março de 2021): votou sim. O fim dos pisos da saúde e da educação chegou a ser discutido, mas saiu do texto antes da votação.
  • Minirreforma trabalhista (setembro de 2021): votou sim à Medida Provisória 1.045. O Senado a rejeitou por 47 a 27.
  • Arcabouço fiscal (junho de 2023): votou não. As novas regras para as contas do governo Lula passaram por 57 a 17.
  • Reforma tributária (novembro de 2023): votou não. A PEC 45/2023 foi aprovada por 53 a 24.
  • Fim da escala 6x1 (outubro de 2026): votou sim nos dois turnos, de forma remota. Uma semana antes, ainda se opunha à proposta.

Em dois votos importantes, não há registro individual. A política de aumento real do salário mínimo, em 2023, foi aprovada em votação simbólica, sem painel. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, em 2025, foi unânime, mas a presença dele não está confirmada.

Justiça, armas e o 8 de janeiro

  • Decretos de armas do pai (junho de 2019): votou para manter os decretos que facilitavam a posse de armas. O Senado os derrubou por 47 a 28.
  • PEC das drogas (abril de 2024): votou sim à criminalização do porte de drogas. Passou por 53 a 9.
  • Fim da “saidinha” (fevereiro de 2024): foi o relator do projeto que acabou com as saídas temporárias de presos em feriados. Aprovado por 62 a 2.
  • Marco temporal das terras indígenas (setembro de 2023): esteve ausente. O texto passou por 43 a 21.
  • PEC da Blindagem (setembro de 2025): defendeu a proposta, que dificultava processos contra parlamentares, como questão de “sobrevivência”. A Comissão de Constituição e Justiça a rejeitou por 26 a 0, e ela nem chegou ao plenário.
  • Projeto antifacção (dezembro de 2025): votou sim. Aprovado por 64 a 0.
  • Dosimetria (dezembro de 2025): votou sim ao projeto que reduz as penas dos condenados pelo 8 de janeiro. Passou por 48 a 25.
  • Veto de Lula à dosimetria (abril de 2026): votou pela derrubada. O veto caiu por 49 a 24.

Os dois últimos votos têm peso especial. O pai de Flávio, Jair Bolsonaro, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão, inclusive por golpe de Estado.

Votar também exige estar presente. Segundo levantamento da Folha, Flávio faltou a 43% das 49 votações nominais do Senado em 2026, até 22 de junho. A média dos senadores foi de 20%. O gabinete dele não respondeu ao jornal.

A produção legislativa também é modesta. Desde 2019, ele assinou 433 proposições como autor ou coautor, segundo o Terra. Só dois projetos de sua autoria passaram pelo Senado. Um destina dinheiro de loterias à Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR). O outro trata da reciclagem de baterias de carros elétricos. Os dois estão parados na Câmara.

O que diz Flávio Bolsonaro: Sobre o 6x1, ele afirma que se opunha à proposta e mudou de opinião. Defendeu a PEC da Blindagem como questão de “sobrevivência” e trata a redução das penas do 8 de janeiro como correção de uma perseguição política. Seu gabinete não comentou o levantamento sobre as faltas.

O painel mostra um senador coerente com a agenda do pai na segurança e no 8 de janeiro. Mostra também votos contra as regras fiscais de Lula, sem proposta alternativa aprovada, e uma presença abaixo da média. Quem vai às urnas no dia 25 pode conferir cada placar. É o currículo de quem pede para comandar o país.

Fontes