Política

Lula sanciona lei que torna definitivo o fim da taxa das blusinhas

Texto aprovado pelo Congresso na semana passada tira da lei o piso de 20% do imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50.

Ilustração abstrata em verde e ouro, com formas geométricas sobre fundo claro.
Imagem provisória, a ser substituída por foto ou arte da reportagem antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quinta-feira (10) a lei que acaba de vez com a chamada “taxa das blusinhas”. Sancionar é o ato em que o presidente aprova um texto do Congresso e o transforma em lei. Segundo o Poder360, Lula assinou o texto sem vetos.

A taxa era a cobrança de 20% de Imposto de Importação, um tributo federal, sobre compras de até US$ 50 feitas por pessoas físicas em sites estrangeiros. Ela valia desde agosto de 2024, segundo a CNN Brasil. Antes disso, essas compras não pagavam o imposto federal.

Da medida provisória à lei

A cobrança foi suspensa em maio deste ano pela Medida Provisória (MP) 1.357/2026, assinada por Lula em 12 de maio, de acordo com o Poder360. A MP é uma norma que o presidente edita com força de lei imediata. Para não perder a validade, ela precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias.

O texto passou primeiro por uma comissão mista, formada por deputados e senadores. Ali, segundo a Agência Senado, a relatora, senadora Leila Barros (PDT-DF), acolheu 9 das 112 emendas apresentadas. A comissão aprovou o relatório na quarta-feira (2) da semana passada.

Na quinta-feira (3), a Câmara aprovou a MP à tarde, e o Senado a aprovou à noite. Como o texto foi modificado, virou um projeto de lei de conversão, o PLV 13/2026, informou a Rádio Senado. Segundo a CNN Brasil, a aprovação dependeu de um acordo entre o Planalto e os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre.

O que muda para o consumidor

A lei retira da legislação o piso de 20% e permite ao Ministério da Fazenda reduzir o imposto a zero nas compras de até US$ 50. A regra vale para plataformas que participam do Remessa Conforme. Esse é o programa da Receita Federal para sites que informam os dados das encomendas antes de elas chegarem ao país.

Para compras entre US$ 50 e US$ 3.000, a alíquota pode cair de 60% para até 30%, segundo a Agência Câmara. O ICMS, imposto cobrado pelos estados, continua valendo em compras de qualquer valor. A alíquota dele é definida por cada estado e pelo Distrito Federal.

O Congresso incluiu no texto o imposto zero para remédios contra doenças raras ou negligenciadas sem similar no Brasil. Segundo a Agência Senado, a medida vale para compras de pessoas físicas para uso próprio. Ela entra em vigor em até 180 dias após a publicação da lei.

A Fazenda também poderá limitar a quantidade e a frequência das compras com imposto reduzido. O objetivo é impedir que lojistas dividam encomendas para pagar menos. As plataformas passam a ter de combater fraudes, como valores declarados abaixo do real.

O que diz o governo federal: Segundo a CNN Brasil, Lula chamou a medida de “reparação” na cerimônia de sanção, no Palácio do Planalto. Ele contestou o argumento de empresários de que o fim da cobrança traria prejuízo à indústria e ao comércio nacionais.

A arrecadação com a taxa foi de R$ 5 bilhões em 2025, segundo dados da Receita Federal citados pela CNN Brasil. Pela nova lei, a Fazenda terá de entregar o primeiro estudo sobre os efeitos da medida em até três meses. Os seguintes virão a cada seis meses, no máximo.

Os relatórios vão medir o impacto sobre empregos, preços e setores como vestuário, calçados e brinquedos. O Congresso também fará uma avaliação anual da política.

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