Belém leva Nossa Senhora de Nazaré às ruas no Círio deste domingo
Realizada desde 1793, a procissão percorre 3,6 km entre a Catedral da Sé e a Basílica Santuário e é patrimônio cultural do Brasil e da humanidade.

Neste domingo (11), segundo domingo de outubro, Belém realiza a Grande Procissão do Círio de Nazaré. Segundo a programação divulgada pelo jornal O Liberal, a missa na Catedral Metropolitana começa às 6h. A procissão sai às 7h rumo à Basílica Santuário, num trajeto de 3,6 quilômetros.
O percurso costuma levar cerca de seis horas. A chegada está prevista para o meio-dia, com missa na Praça Santuário. A palavra círio significa uma vela grande, de cera, como as levadas em procissões.
A origem
Segundo a tradição, por volta de 1700 um caboclo chamado Plácido encontrou uma pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré. O achado teria ocorrido perto de um igarapé, pequeno curso d’água da Amazônia, na área da atual avenida Nazaré. No local surgiu uma capela, que deu origem à basílica de hoje.
O primeiro Círio saiu às ruas em 1793, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Desde então, a festa cresceu até se tornar uma das maiores manifestações religiosas do país.
A berlinda e a corda
Nas procissões, os fiéis acompanham a imagem peregrina, uma réplica da original. Ela viaja na berlinda, uma espécie de pequena carruagem enfeitada com flores. A berlinda é puxada por uma longa corda, que entrou na procissão no fim do século 19.
Milhares de pessoas disputam um lugar na corda. Muitas são promesseiros, fiéis que pagam uma promessa feita à santa. Outras seguem descalças, carregam objetos de cera ou caminham ao lado da berlinda durante todo o trajeto.
Uma festa de vários dias
O Círio não se resume ao domingo. A programação de sábado (10) previa a Romaria Fluvial, com barcos saindo do distrito de Icoaraci pela manhã. Nossa Senhora de Nazaré é também padroeira dos navegantes.
À noite, a Trasladação levaria a imagem do Colégio Gentil Bittencourt até a Catedral, num percurso de 3,7 quilômetros. É dali que parte a procissão deste domingo. Segundo a programação, a festa termina em 25 de outubro, e o Recírio, a procissão de despedida, ocorre no dia 26.
Fora das igrejas, o Círio também é uma festa de família. O almoço do Círio reúne parentes em torno de pratos da culinária paraense. Nas ruas, artesãos vendem brinquedos de miriti, feitos com a madeira leve de uma palmeira amazônica.
Patrimônio do Brasil e do mundo
Em 5 de outubro de 2004, o Iphan registrou o Círio no Livro das Celebrações, como patrimônio cultural imaterial do Brasil. Patrimônio imaterial reúne práticas, festas e saberes, e não prédios ou objetos. O pedido foi apresentado pela Arquidiocese de Belém, e o título foi revalidado em 2021.
O reconhecimento internacional veio em 4 de dezembro de 2013. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) incluiu o Círio na sua lista de patrimônio cultural imaterial da humanidade. A organização destaca a culinária amazônica, o artesanato de miriti e a transmissão da tradição entre gerações.
O que diz o Iphan: Na ficha do bem registrado, o instituto descreve que, no domingo, a imagem “volta à Basílica, desta vez na berlinda, puxada pela corda carregada por milhares de fiéis”. O Iphan afirma que os títulos de patrimônio “são fruto do envolvimento das pessoas”. O registro está publicado no portal Bens Culturais Registrados, do Iphan.
Para Belém, o Círio é ao mesmo tempo fé, memória e identidade. Os títulos do Iphan e da Unesco reconhecem esse valor, mas quem mantém a festa viva são as famílias que voltam às ruas todo mês de outubro.
Fontes
- Círio de Nossa Senhora de Nazaré — Bens Culturais Registrados, Iphan
- Parecer técnico de revalidação do Círio de Nazaré como Patrimônio Cultural do Brasil — Iphan
- Círio de Nazaré (The Taper of Our Lady of Nazareth) in the city of Belém, Pará — Unesco
- Confira a programação oficial completa do Círio 2026 — O Liberal


